De ismaelitas a ugandenses, todos querem vir morar em Portugal

10 de Agosto de 2018

Já são muitos os ismaelitas que vivem em Portugal, numa altura em que foi decidida a instalação da sede mundial dos ismaelitas em Lisboa. O acontecimento foi apresentado em Portugal no passado mês de julho, no âmbito das comemorações dos 60 anos do príncipe Aga Khan como líder dos muçulmanos ismaelitas. A comunidade ismaelita é constituída por cerca de 15 milhões de pessoas em cerca de 30 países, com as maiores comunidades na Europa a residirem na Grã-Bretanha, França e Portugal, onde vivem cerca de 7.000 membros.

Com o estabelecimento da sede do Imamato em Portugal, o nosso país acaba por ser um destino cada vez mais procurado pela comunidade muçulmana “Shia Imami Ismaili”, um ramo dos muçulmanos xiitas. Esta decisão acaba por ter implicações no mercado imobiliário e o interesse dos ismaelitas em se fixar no nosso país é uma realidade. A Private Luxury, empresa de mediação imobiliária de segmento de luxo, registou, nestes últimos tempos, uma grande procura por parte de Ismaelitas que vieram por ocasião do Jubileu de Diamante de Aga Khan e que vão ficar, inclusive, já fecharam negócios com alguns.

Filipe Lourenço, CEO e Sandra Camelo, CFO da Private Luxury revelam que têm acompanhado muito de perto este fenómeno emergente em Lisboa, pela importância social, religiosa, cultural e económica que tem para a cidade, e também pelo impacto no mercado imobiliário da capital.

O responsável refere ainda que quanto ao crescimento da comunidade ismaelita em Portugal, é fruto de sermos um país laico e em que a sociedade é completamente tolerante a qualquer orientação religiosa, “acrescendo o facto de a sede passar a estar no nosso país e os ismaelitas valorizarem a proximidade ao seu líder, Aga Khan, temos fundamento para afirmar, até pela proximidade que temos a várias pessoas da comunidade, que vai crescer grandemente. Não apenas em população, mas sobretudo em importância socioeconómica”. O responsável admite que na Private Luxury têm tido várias aproximações por membros da comunidade, tendo concretizados alguns negócios, havendo outros em fase de fecho. “Provêm sobretudo do Dubai, Inglaterra, Irão e outros países do Mé- dio Oriente e privilegiam, tipicamente, apartamentos no centro de Lisboa, em zonas com menor pressão turística e próximos de bons colégios e universidades”, alega.

Curiosamente, também outras nacionalidades que habitualmente não estão nos rankings nacionis, encontram-se neste momento em crescimento no que diz respeito à compra de casa em Portugal. Sandra Camelo explica que muitas vezes se assiste, no imobiliário, a vagas. “Acreditamos que foi o que aconteceu com algumas nacionalidades,que terão tendência a estabilizar. Não tendo uma implantação ainda muito representativa em Portugal, na Private Luxury, temos tido grande procura por parte de nacionalidades menos usuais, como a malaia, indiana, tailandesa e libanesa, ou, mais recentemente, investidores do Uganda”, explica.

Estilo de vida ocidental

A responsável assegura que se há caraterísticas transversais que todas estas nacionalidades valorizam em Lisboa, é encontrarem e poderem ter um estilo de vida ocidental, numa cidade da moda, onde o sistema de saúde e a educação estão ao nível do melhor da Europa. “E, tudo isto, numa cidade que está a apenas duas horas de Paris e Londres e onde o clima e a segurança são únicos. A tolerância religiosa e cultural que se vive no nosso país são também, muitas vezes, sublinhados pelos nossos clientes provenientes destas paragens mais exóticas para o mercado imobiliário português. São comunidades que procuram apartamentos nas grandes avenidas do centro de Lisboa”, adianta Susana.

Contudo, os norte-americanos e brasileiros continuam a chegar em grande força, Filipe Lourenço admite que se há um traço comum altamente valorizado entre os cidadãos destes dois países, quando escolhem Portugal para viver, é a segurança. Mas existem outros, como a reputação e cotação das universidades portugueas, o bom e pouco dispendioso sistema de saúde, a proximidade às principais capitais europeias, sobretudo Londres e Paris, a centralidade que possuímos em relação ao mundo ocidental e a importância que tal tem, por exemplo, para empresários e gestores de multinacionais. “Para a atractividade de Portugal e, particularmente, de Lisboa, quer para americanos, quer para brasileiros, o facto de ser uma cidade que está na moda a nível global, é também um factor de peso. Temos clientes que estão a preterir das suas casas em Londres e Paris, para, na Europa, se sedearem numa zona nobre de Lisboa”, salienta Filipe. Se, para brasileiros, a inexistência da barreira linguística é importante, para americanos, o facto de sermos um país central a nível global, aberto e tolerante, seguro e, sobretudo, de grande riqueza histórica, faz de Portugal um porto seguro.

Apesar da ascensão destas nacionalidades, as três mais representativas para a Private Luxury, são a portuguesa, brasileira e francesa. Depois, assiste-se a um crescimento por parte de pessoas do Benelux, médio oriente, escandinávia e américa do norte, com especial destaque para os Estados Unidos. Numa terceira linha, encontram-se investidores provenientes de latitudes tão distintas como o Dubai, Uganda, Malásia, Índia e Líbano, entre outras nacionalidades. 

*Artigo publicado no Jornal Económico no caderno do Diário Imobiliário - Texto escrito com novo acordo ortográfico