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sexta-feira, 26 de Abril de 2019
Entrevistas

Tivemos coragem quando todos tinham medo de investir

13 de Agosto de 2018

José Luís Pinto Basto, CEO do The Edge Group admite que se consideram investidores de contra-ciclo. "Chegámos à crise com alguma liquidez e tivemos coragem quando todos tinham medo de investir".

Nem os tempos mais difíceis demoveram o The Edge Group de avançar com projetos, mesmo que os tenha prolongado no tempo. É um dos promotores portugueses com capitais próprios e que se orgulha de dar passos seguros. A possibilidade de esperar pela hora certa leva muitas vezes a alterar os projetos, de acordo com as necessidades atuais do mercado e foi por isso, que depois de adquirir as galerias das Twin Towers em Sete Rios, em 2015, e divulgar um novo conceito imobiliário na altura ligado ao retalho, José Luís Pinto Basto, CEO do The Edge Group anuncia que o projeto só agora vai avançar, designado como Espaço Sete Rios e será composto por um centro empresarial com um pequeno espaço comercial.

“Neste momento, o mercado exige outro tipo de espaços e levar para Sete Rios o conceito que já temos com o Espaço Amoreiras, é o mais adequado. Já se encontra em remodelação e estará concluí- do em finais de setembro ou princípios de outubro. Além dos escritórios, terá um Leap Center, um restaurante Origem, que será o oitavo e ainda uma clínica e um ginásio que já se encontravam em funcionamento no espaço”, revela o responsável.

Num investimento de 20 milhões de euros que contempla a compra do ativo, o Espaço Sete Rios tem ainda um parque de estacionamento para 370 lugares. Pinto Basto refere que o centro empresarial já tem 70 a 80% de área ocupada e espera fechar o ano com ocupação total. O CEO do grupo assegura, que devido à escassez no mercado de Lisboa por espaços de escritórios, esta é uma oportunidade de oferecer mais produto neste segmento, com a mais-valia da centralidade e acessibilidades.

O The Edge Group é um dos raros promotores de escritórios que adquirem os imóveis, transformam-nos, fazem a gestão e rentabilizam-nos. Apesar do foco do grupo no segmento de escritó- rios com vários projetos já finalizados, tais como o Edifício D. Luís no Cais do Sodré, que foi um dos que vendeu na totalidade, ainda têm por exemplo o emblemático Edifício 24 de Julho, em Santos, que marca já a paisagem da frente ribeirinha de Lisboa. Ou ainda em projeto mas com previsão de avançarem brevemente o Forte Center, em Carnaxide e o Norte Center, em Matosinhos. O CEO revela que com a entrada da Immochan, agora Ceetrus, parceiros em 50% do Forte Center, o projeto está a ser redesenhado, no entanto, assegura que irá para o mercado ainda este ano. São 42 mil m2 de construção que inclui escritórios, hotel e algum comércio.

Com 16 anos a operar no mercado imobiliário, José Luís Pinto Bastos, anuncia ainda que o grupo vai entrar no segmento residencial. A dar os primeiros passos, avança com três projetos e um de turismo residencial. Os residenciais, localizados no Restelo (cinco milhões de euros), Alvalade (15 milhões de euros) e Areeiro (45 milhões de euros) estão previstos para arrendamento de longa duração e estão em processo de licenciamento. O de turismo residencial localiza-se na Comporta, estende-se por 51 hectares e terá um investimento de 30 milhões de euros.

“A aposta no residencial pareceu-nos oportuna neste momento, porque se verifica um enorme potencial e uma grande necessidade do mercado de arrendamento de longa duração. Tentamos antecipar as tendências. Enquanto olham para a esquerda, nós olhamos para a direita e vice-versa”, explica Pinto Basto.

O responsável admite mesmo que se consideram investidores de contra-ciclo. Conseguiram chegar à crise com alguma liquidez e "tivemos coragem quando todos tinham medo de investir". Nesse período conseguiram ter ativos que geravam rendas, o que lhes permitiu crescer e fazer investimentos quando o mercado se tornou dinâmico. “Temos parceiros diversificados e sólidos mesmo durante a crise. Consideramo-nos investidores conservadores apesar de nos apelidarem de agressivos. Contudo, este conservadorismo permite-nos esperar para desenvolver no momento certo”.

José Luís Pinto Basto admite que Portugal está a passar por um período muito dinâmico e isso é em parte devido ao programa dos Vistos Gold e do ARI - Autorização de residência para atividade de investimento. Considera mesmo que Lisboa ganhou massa crítica, teve necessidade de se reinventar e a reabilitação ajudou a oferecer produtos de qualidade. Reconhece que os preços subiram demasiado mas porque a procura assim o exigia. No entanto, é de opinião que o mercado vai se equilibrar e está otimista com o futuro, porque será sustentável.

*Artigo publicado no Jornal Económico no caderno do Diário Imobiliário - Texto escrito com novo acordo ortográfico

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