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segunda-feira, 28 de setembro de 2020
Entrevistas
Prevê-se que 2020 seja o 3º melhor ano de investimento imobiliário desde que há registos

Prevê-se que 2020 seja o 3º melhor ano de investimento imobiliário desde que há registos

16 de setembro de 2020

Rentrée 2020: Francisco Horta e Costa, director geral da consultora imobiliária CBRE, revela que apesar da pandemia, estima-se que se concretize um total de 2,7 mil milhões de euros de transacções no final do ano. 

O responsável admite que o mercado esteve suspenso, agora na rentrée, já se encontra activo e razoavelmente habituado a viver neste contexto.

Num ano atípico o que podemos esperar do mercado imobiliário na Rentrée?

O mercado esteve relativamente suspenso durante os meses de Março e Abril, mas nunca esteve parado e a partir de Junho começou a verificar-se um incremento forte na actividade no mercado de investimento. Na reentré o que podemos esperar é um mercado ativo, já razoavelmente habituado a viver com este novo contexto, cujos players sabem que não podem protelar para sempre decisões de investimento ou de gestão.

Há vários processos de investimento, de mudança de instalações ou de abertura de lojas que foram retomados nas últimas semanas e que irão concretizar-se ao longo dos próximos meses. Sem dúvida que o mercado português continua no radar das empresas e dos investidores.

Quais os desafios que o sector tem pela frente?

Os principais desafios apresentam-se nos sectores do retail e dos hotéis, por razões óbvias. Vai demorar tempo até que as pessoas voltem a viajar e a irem para hotéis, bem como a centros comerciais. Será preciso eliminar por completo o risco de contágio do vírus, mas quando isso acontecer (e irá acontecer), esses sectores regressarão a uma quase normalidade. O sector do retail tem o desafio acrescido do crescimento do comércio online pela frente, mas também já todos constatámos que nada substitui a experiência de compra num ambiente de loja.

No que diz respeito ao sector dos escritórios, é inegável que o teletrabalho veio para ficar, mas não acredito nas teorias que dizem que vamos todos trabalhar para casa. Mais uma vez, a interacção humana é essencial para a criação da cultura das empresas, bem como para a criatividade e inovação. O desafio será encontrar esse equilíbrio entre quem pode trabalhar mais a partir de casa (mas que também deve ir ao escritório com regularidade) e aquelas funções que, por regra, devem trabalhar a partir do escritório e excepcionalmente trabalham a partir de casa. Para as empresas grandes e com muitos colaboradores, provavelmente fará todo o sentido estudar uma ocupação que inclua escritórios satélite, localizados em zonas periféricas, de forma a evitar o tempo de viagem casa-trabalho (o “commuting”), mas ainda assim permitindo que as pessoas trabalhem num ambiente de escritório onde tendencialmente são mais produtivas.

Um dos maiores desafios será o desenho dos escritórios do futuro e a componente tecnológica que forçosamente vão ter que incorporar, além de terem que ser um espaço que permita atrair e reter o talento. O estudo da CBRE “Global Outlook – 2030”, publicado antes do covid-19, já dizia que o escritório do futuro, num ambiente 5G (ou seja de conectividade total), terá que ser o melhor sítio para contactar com colegas, experienciar a marca e a missão da empresa, e realizar projectos.

Quais as previsões para o mercado até ao final do ano?

Estimamos que ainda se venham a realizar cerca de 1.000 milhões de euros de transações em imóveis de rendimento, apontando para um total de 2,7 mil milhões de euros no final do ano. Se assim for, 2020 será o terceiro melhor ano de investimento imobiliário desde que há registos (de salientar que o melhor ano antes da crise financeira global tinha sido o ano de 2007, onde tínhamos atingido cerca de 1,4 mil milhões de euros).

É natural que a ocupação de escritórios fique 20 a 30% abaixo do take-up de 2019. Prevemos que o sector industrial e de logística tenha uma boa performance, dado o incremento da importância do supply chain. Há também uma cada vez maior procura dos investidores no sector residencial para arrendamento, numa lógica de “low-risk/low-return”, seguindo a tendência dos restantes mercados europeus.

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