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terça-feira, 7 de abril de 2020
Entrevistas

Portugal pode ter algumas cidades exclusivamente alimentadas a energia solar em 2035

21 de fevereiro de 2020

É uma empresa 100% portuguesa e familiar criada em 2007, a Sotecnisol Power&Water tem competido com grandes players internacionais e segue com interesse os leilões de energia solar lançados pelo governo.

Como empresa instaladora de unidades de produção para autoconsumo (UPAC) e Unidades de Pequena Produção (UPP), a Sotecnisol Power & Water desenvolve projectos integrais de instalação de sistemas solares fotovoltaicos, centrais fotovoltaicas, sistemas de produção de energia, para autoconsumo ou para venda à rede.

Em 2019 facturou cerca de 5 milhões de euros e prevê chegar  aos 7 milhões em 2021.

Já fez instalações para algumas das maiores e mais prestigiadas empresas nacionais e internacionais com actividade em Portugal nomeadamente: Porto de Sines, Paladin, Sovena, Marl, CTT, Auchan e tem mais de 300 sistemas fotovoltaicos executados por todo o país nos últimos anos.

Filipe Bello Morais, Director Geral da Sotecnisol Power & Water, em entrevista ao Diário Imobiliário explica a importância das energias renováveis para o país e o planeta.

Com as preocupações climáticas na ordem do dia e nas agendas internacionais como vê a evolução da utilização da energia fotovoltaica em Portugal e a nível internacional?

A evolução e progressão da energia fotovoltaica a nível mundial e particularmente em Portugal é uma inevitabilidade essencialmente devido a dois factores; em primeiro lugar, a redução absolutamente exponencial do preço das instalações fotovoltaicas, o que se traduz num valor de electricidade produzida excepcionalmente baixo, e a pressão da sociedade em geral sobre as alterações climáticas, que incentiva determinantemente a produção de energia através de tecnologias limpas.

Inevitavelmente a energia solar será a energia do futuro, estando-se a ultrapassar barreiras até há pouco consideradas inultrapassáveis como execução de sistemas solares em planos de água, utilização de baterias em centrais solares utility scale, entre outros.

De que forma o país pode aproveitar e poupar energia com a produção desta energia verde?

Portugal, sendo um país energeticamente rico no que à energia solar diz respeito, tem em vista um plano muito ambicioso de instalação de potência solar, centralizada e descentralizada, que permitirá fornecer ao país em geral electricidade a preços muito competitivos e sem riscos de abastecimento, típicos de economias dependentes do petróleo e derivados. Este aspectos permitirá às empresas diminuir custos num dos seus factores principais de produção, a energia, tornando-as assim mais competitivas num mercado cada vez mais globalizado. Por sua vez e ao nível doméstico, as famílias irão naturalmente beneficiar dessa redução de custos, aumentando o seu poder de compra e melhorando os seus padrões de qualidade de vida.  

Como funcionam os leilões para energia fotovoltaica? É mesmo compensador para os que a utilizam? Que dificuldades podem encontrar?

Face à capacidade disponível limitada da rede eléctrica em receber a energia das centrais solares distribuídas pelo país e naturalmente aos limites existentes no consumo nacional e ibérico de electricidade, a construção de centrais solares não pode naturalmente ser  ilimitada. Assim, o governo escolheu um modelo de atribuição de potência solar que consiste em leiloar capacidade disponível na rede através de um mecanismo de descontos à tarifa de referência ou de contribuição para o sistema, que permite premiar os investidores que se dispõem a colocar energia na rede ao preço mais baixo. É um modelo muito interessante, com ganhos significativos para o consumidor e que colocam o patamar de concorrência em níveis centrados na agressividade da oferta em preço, excluindo factores pouco relevantes para os consumidores.

Era possível uma cidade portuguesa utilizar apenas energia fotovoltaica? E o país?

Creio que caminhamos claramente nesse sentido, apesar da intermitência da energia solar ser ainda uma limitação para uma total autonomia de fornecimento. No entanto, o rápido desenvolvimento das tecnologias de acumulação irá potenciar o caminho nesse sentido. Existem alguns exemplos no mundo, ainda que pilotos, que utilizam a energia solar em exclusividade, e que são tecnicamente viáveis; falta apenas tornar rentável esta realidade. Algumas estimativas apontam para que em Portugal possamos ter algumas cidades exclusivamente alimentadas a energia solar em 2035.   

Como vê o futuro das energias renováveis em Portugal? e no Mundo?

As energias renováveis terão um papel absolutamente inultrapassável no futuro da produção de electricidade tendo em conta, por um lado, a abundância das matérias primas, teoricamente infinitas, como são o vento, o sol, a água, que associadas a tecnologias cada vez mais competitivas, estabelecerão as referências de produção de energia eléctrica. Por outro lado, face às evidentes alterações climáticas e à consequente pressão dos cidadãos na definição e implementação de objectivos políticos ambiciosos de curto/médio prazo, as metas de neutralidade carbónica em 2050 estão aí à porta, sendo naturalmente a intensificação da utilização das energias renováveis um dos pilares fundamentais no alcance desse metas.  

Acredita que as medidas europeias podem mesmo transformar as cidades mais verdes e amigas do ambiente?

Não tenho a mínima dúvida, todas as politicas que estão a ser definidas e discutidas nos corredores de Bruxelas tem como pilar fundamental uma melhoria significativa na qualidade de vida das populações, nomeadamente ao nível das grandes cidades. Aspectos como a limitação de circulação de viaturas nos grandes centros urbanos associados à intensificação dos meios de mobilidade eléctrica, melhoria das redes e qualidades dos transportes públicos, obrigatoriedade de instalação de equipamentos de produção de energia eléctrica e térmica mais eficiente e mais renováveis, edifícios com níveis de classificação energética mais exigentes, entre outros, são o reflexo do caminho que está a ser trilhado na Europa e um pouco por todo o mundo, naturalmente com velocidades distintas.

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