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quarta-feira, 27 de maio de 2020
Entrevistas

Não faz sentido termos investimentos de bancos portugueses a serem construídos por empreiteiros estrangeiros

18 de maio de 2020

José Rui Meneses e Castro, CEO da MAP Engenharia, revela que está na altura de valorizarmos e termos orgulho no “MADE IN PORTUGAL”.  Em entrevista ao Diário Imobiliário revela que é muito importante para a nossa economia atrair investimento estrangeiro, mas também é igualmente importante que esse investimento internacional se traduza em toda a desmultiplicação da cadeia em aumento de actividade da nossa indústria.

Como estão a decorrer as obras de reabilitação nesta fase de confinamento? Tem tido paragens ou decorrem normalmente?

As obras mantém-se em curso, no entanto com muitas condicionantes acrescidas. Verificam-se atrasos nos fornecimentos por parte de fabricantes, alguns encerraram provisoriamente, assim como casos de suspeita ou efectivamente de doença, o que aumenta o absentismo da mão de obra. No entanto, temos conseguido manter-nos activos, com a implementação atempada de um plano de contingência muito rigoroso e ainda antes de ter sido decretado o estado de emergência, o que permitiu que continuássemos a produzir nos nossos estaleiros. As obras de reabilitação, por serem espaços mais limitados e de forma a garantirmos o cumprimento das medidas necessária, foram as que tiveram mais impacto na redução da carga de mão-de-obra.

Qual o impacto que se espera neste segmento de mercado?

O primeiro semestre será de abrandamento, no entanto com o controlo da propagação do vírus e com maior capacidade em geral para reagir, acredito que no segundo semestre assistiremos a uma redução da incerteza, o que desbloqueará decisões que possam estar actualmente em standby. Não só decisões de investidores, como também de aprovações de licenciamento que também tiveram de passar por um período de adaptação a novos métodos de trabalho.

Que tipo de medidas a MAP tem tomado perante esta situação de crise?

Como referido anteriormente, rapidamente foi implementado um plano de contingência muito detalhado, planeado pelo nosso departamento de Segurança Higiene e Saúde no Trabalho, que incorporou todas as recomendações da OMS e DGS e totalmente adaptado ao nosso “modus operandi”. Com estas medidas, garantimos actualmente que todos os colaboradores da MAP estão activos.

As medidas lançadas pelo Governo são suficientes?

 As principais medidas que o governo terá de tomar, serão:

. Garantir rapidamente investimento público em sectores que são essenciais e que darão sempre retorno (aeroporto e outras infraestruturas, hospitais e equipamentos de saúde, escolas, equipamentos culturais, eficiência energética, requalificação do espaço público);

. Manter o incentivo ao investimento internacional, como são alguns exemplos os incentivos aos residentes não habituais e o programa do golden visa;

.Reduzir a carga fiscal;

.Garantir fundos, para financiamento de investimentos e apoio à recuperação das empresas;

Tudo isto activará a economia e trará benefícios a todos os sectores. Importante relembrar que são as empresas que geram emprego e que é com emprego que as economias recuperam e se tornam saudáveis. É do emprego que vem o rendimento e consequentemente o consumo, activando todas as indústrias.

Como vê o futuro da reabilitação urbana?

A reabilitação urbana não vai parar. As pessoas adoram vivenciar os centros das cidades e a conveniência de ter tudo nas imediações (alojamento, lazer, lojas, restaurantes, história, cultura). As autarquias terão um papel fundamental em manter esta dinâmica, acelerando os penosos processos de licenciamento e continuando a transformar os espaços públicos em áreas atractivas e utilizáveis.

Também é verdade que o Covid e a possibilidade de no futuro as pessoas passarem mais tempo nas suas casas, mesmo em trabalho, valorizará projectos de construção nova na periferia e com menos limitações de áreas. Possivelmente voltando a activar o mercado de segunda residência que se encontrava adormecido.

De que forma a MAP tem gerido esta situação de emergência?

O segredo foi não termos medo! Muito cautelosos e preventivos, mas não parámos nunca. Aliás conseguimos transmitir aos nossos clientes que só não lhes daríamos resposta ou não produziríamos mais, quando efectivamente fossemos limitados pelo efeito Covid. Ficou claro para todos os nossos colaboradores, fornecedores e clientes que tínhamos de estar todos do mesmo lado. Ou seja não deixámos de trabalhar e tomar decisões com compromissos assumidos, mesmo correndo o risco que no dia seguinte tudo fosse em vão, caso houvesse um aumento exponencial do surto e a actividade da construção tivesse de parar totalmente.

O que é certo é que consideramos que a nossa forma de actuação foi um sucesso, face a outros cenários que poderiam também ter surgido. Produzimos menos neste período, mas produzimos bastante. E fechámos novos contratos porque nos mantivemos disponíveis para os nossos clientes.

Como será mercado imobiliário nos próximos tempos?

O sector imobiliário seguramente será diferente, mas continuará activo As pessoas mantém a necessidade de mudar de casa, talvez até mais. Os conceitos de escritórios sofrerão transformações e a escassez que havia no mercado para grandes áreas, será em parte substituída por uma procura por áreas médias ou mais flexíveis,  o que viabilizará novos projectos e possivelmente até com um processo de desenvolvimento mais ágil.

De algo temos a certeza, as crises nunca duram para sempre e neste caso acredito que a curva de inflexão do crescimento económico em Portugal será bastante acentuada. Daqui a um ano o turismo estará de volta como esteve nos últimos tempos, possivelmente até com uma procura maior dado o reforço da credibilidade de Portugal. Assim, investidores nesta área que tenham acesso a capital, será esta a melhor altura para desenvolverem os seus activos, por forma a estarem prontos a operar quando o mercado estiver novamente quente e não estarem a consumir esses anos de ouro com licenciamentos e construção.

Algo que considero muito importante ainda salientar é que finalmente está na altura de valorizarmos e termos orgulho no “MADE IN PORTUGAL”! É muito importante para a nossa economia atrair investimento estrangeiro, mas também é igualmente importante que esse investimento internacional se traduza em toda a desmultiplicação da cadeia em aumento de actividade da nossa indústria. Será importante haver uma protecção maior às empresas portuguesas, enquanto prestadores de serviços, fornecedores e produtores destes investimentos. Só assim garantimos que este investimento se traduz numa efectiva retenção de capital em Portugal, musculando as nossas empresas, dotando as nossas instituições financeiras de maiores depósitos e consequentemente melhorando as condições de emprego de todos os que trabalham em Portugal, retendo também o nosso talento. A título de exemplo, não faz sentido termos investimentos suportados por bancos portugueses a serem construídos por empreiteiros estrangeiros, em condições idênticas de competitividade. Quando todos sabemos das dificuldades, ou mesmo bloqueio, que as empresas portuguesas de construção têm em penetrar em mercados internacionais, tal como Espanha, Itália, entre outros.

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