CONSTRUÍMOS
NOTÍCIA
quarta-feira, 12 de agosto de 2020
Entrevistas
Escassez no mercado imobiliário continuará a aumentar os preços nos próximos três anos

Escassez no mercado imobiliário continuará a aumentar os preços nos próximos três anos

28 de julho de 2020

Já investiu em quatro anos, 21 milhões de euros em projectos já concluídos, em aquisições o ano passado investiu 45 milhões e tem em pipeline mais de 250 milhões de euros em empreendimentos. Entre hotéis, projectos residenciais, hotelaria, centros de congressos e multusos, o grupo israelita Fortera é neste momento, um dos maiores investidores estrangeiros a apostar em Portugal.

Elad Dror, CEO do Grupo Fortera  em entrevista ao Diário Imobiliário, revela ainda, que em 2021 iniciará um projecto único que vai mudar a face de Vila Nova de Gaia.

Para o promotor, Portugal continua a ser atractivo para investir e e com pandemia do Covid-19, o Governo tem de ser ainda mais criativo para atrair investimentos estrangeiros para o país.

Qual o investimento já realizado em Portuga e quantos projectos têm em desenvolvimento neste momento?

Nos últimos quatro anos concluímos nove projectos que tiveram um investimento total de 21 milhões de euros, e investimos outros 45 milhões de euros, aproximadamente, em aquisições ao longo do ano de 2019. Dos nove empreendimentos concluídos, estão por exemplo, o: Cais da Fontinha, no Cais de Vila Nova de Gaia, o Boa Vista One, no Porto, e o Espinho One, na cidade costeira de Espinho. O investimento global que temos actualmente no pipeline é de mais de 250 milhões de euros.

Quais os que estão previstos para arrancar e quanto ainda pretendem investor no nosso país?

Até o final do ano iniciaremos a construção de um hotel de 5 estrelas que contará com 258 quartos e um investimento de 27 milhões de euros, e também arrancaremos com um projecto residencial que contará com 200 apartamentos e um investimento de 20 milhões de euros. Ambos os empreendimentos situados no Bonfim, no Centro do Porto, com previsão de entrega em 2023.

Em Vila Nova de Gais iniciaremos a obra para desenvolvimento de um hotel de 4 estrelas junto à ponte D. Luís I, que contará com 64 quartos, e investimentos que ascendem os nove milhões de euros.

Em 2021 iniciaremos um projecto único que vai mudar a face de Gaia, ao posicionar a cidade como um grande centro de interesse ao lado de outros grandes projectos que estão a acontecer, como o ‘World of Wine’. Um empreendimento de aproximadamente 54 mil metros quadrados, atrás da Câmara Municipal de Gaia, que contará com um centro de congressos, com 2500 lugares e um hotel com mais de 250 quartos e um centro multiusos. O centro de congressos vai atrair conferências de todo o mundo, permitindo à cidade tornar-se um centro de conhecimento, inovação  e criatividade.

Outro projecto que arrancaremos em 2021, também em Vila Nova de Gaia, será dedicado ao segmento residencial, num terreno de 44 mil metros quadrados que posicionará Gaia como o lugar de futuro para se viver. Este projecto terá um investimento aproximado de 80 milhões de euros e contará com mais de 300 apartamentos, localizado na área mais atractiva da cidade, com a melhor vista e com acessos a todos os pontos de interesse da região.

E nos próximos cinco anos, o Grupo continuará actuando em projectos residenciais, dando maior atenção ao centro do Porto, Braga e Lisboa, explorando diferentes segmentos do ramo imobiliário, assim como casas para estudantes.

Porque investir em Portugal? O que o torna atractivo?

Os últimos anos foram bastante interessantes para Portugal. A crise de 2008 posicionou o país para uma grande dinâmica económica. Boas notícias vieram de todos os sectores. O turismo disparou dando um enorme impulso à economia. Adicionamos isso, ao facto de Portugal ser o 3º país mais pacífico do mundo e pelo terceiro ano consecutivo é considerado o melhor lugar para viver a reforma. O mercado imobiliário está a ter um bom desempenho em todos os sectores, residencial, retalho e hotelaria. A implementação dos Golden Visa e demais programas de incentivo atrai cada vez mais investidores estrangeiros. O sector da habitação continua a ser o foco de investidores em Lisboa, Porto e Algarve.

Quais as maiores dificuldades que sente no desenvolvimento dos projectos? 

Diria principalmente as licenças, que especialmente no Porto, levam muito tempo a obter.

Como analisa esta crise proocada pela pandemos? De que forma o grupo tem superado?             

Apesar do Covid-19 ter um impacto a curto prazo, nós mantivemos os nossos investimento em Portugal. Felizmente não temos um hotel em funcionamento e nossos projectos estão previstos para 2023-2024, que esperamos, neste prazo, estar de volta à normalidade.

O que espera depois do Covid-19? Como o mercado imobiliário deve reagir?

 Para os empreendimentos residenciais, não vemos nenhuma razão para que a médio ou longo prazo o mercado não se torne mais atraente mas somos de opinião que o mercado, especialmente o local em que actuamos, continuará a ter uma forte procura por moradias nas grandes cidades. Assim como acredito, que o mercado de alto luxo, ou de pequenas unidades, a curto prazo, serão atingidos pela actual situação. De qualquer forma, todos nós esperamos que  uma vacina apareça para que a vida volte ao normal e a economia se recupere.

Portugal, diferente dos seus vizinhos, conseguiu evitar um caos completo com esta situação, e este é um ponto muito importante para a Fortera e os investidores que lideramos, mas sobretudo para o país.

Quais as principais preocupações que sente no futuro do mercado imobiliário português? (regime fiscal, preços, licenciamentos, programa de incentivos fiscais como os ARI?)        

Espero que o Governo não esqueça a grande mudança que este mercado fez na economia, e que não mude tão cedo os regulamentos fiscais. Os programas de incentivo são os factores-chave para o país continuar a receber os investimentos seguros que vimos nos últimos anos. E agora mais do que nunca, com o Covid-19 e os possíveis impactos, o Governo precisa reconsiderar as mudanças que desejava aplicar, como por exemplo, os Vistos Gold, e ser ainda mais criativo para atrair investimentos estrangeiros para o país. Se fizerem desta forma, será mais fácil superarmos. Senão… bem, não será fácil.

Sobre a especulação dos preços nomeadamente em Lisboa e no Porto, qual a sua opinião?

 A escassez no mercado imobiliário continuará a aumentar os preços nos próximos três anos, até que novas construções comecem a surgir e a estabilizarem os valores. Porto continuará a ser o centro de actividade do nosso grupo devido à sua atractividade. Lisboa continuará com forte procura e níveis altos de preços. Esta questão requer uma profunda pesquisa de mercado do público alvo.

PUB
TURISMO
Joya Del Casco: O botique Guesthouse que está a fazer sucesso em Sevilha e fala português
12 de agosto de 2020
PUB
ARRENDAMENTO
Rendas baixam em 25% dos imóveis que surgem para arrendamento
27 de julho de 2020
PUB
PUB
INTERNACIONAL
França estima impacto no turismo em cerca de 40.000 milhões de euros
10 de agosto de 2020
PUB