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sexta-feira, 14 de agosto de 2020
Entrevistas
Digitalização é uma realidade que está a tornar-se transversal ao universo dos serviços

Digitalização é uma realidade que está a tornar-se transversal ao universo dos serviços

5 de junho de 2020

Chegou a Portugal em 2018, com uma ​solução digital, especializada no sector da construção, que põe em contacto particulares e/ou empresas que pretendem construir ou efectuar obras de remodelação com profissionais de confiança. A Habitissimo foi fundada em 2009, em Espanha, por Jordi Ber, Martin Caleau e Javier Serer e hoje está presente também além do nosso país, em Itália, França, Brasil, México e Chile. Em 2019 facturou 12 milhões de euros e em Portugal 400 mil euros.

 Neste momento, a plataforma agrega globalmente mais de 1 milhão de profissionais, em cerca de 50 categorias de serviços, e fornece aproximadamente dois milhões de orçamentos gratuitos por ano. Em Portugal, tem mais de 300 mil visitas por mês. 

Com a pandemia do Covid-19, o crescimento da plataforma foi significativo e Ariel Quintana, Country Manager Habitissimo para Portugal, Brasil e Chile, revela ao Diário Imobiliário que em Abril apresentaram um crescimento de 30%, face aos registos realizados em Março e em Maio continuaram a crescer mais 10% em registos mensais, face a Abril.

Como vê a digitalização do sector da construção e do imobiliário com a instalação da pandemia do Covid-19?

No início do período de emergência pandémica não podíamos prever a reacção do sector mas, com o passar do tempo, apercebemo-nos de que as pessoas assumiram a necessidade de isolamento (para muitos, em regime de teletrabalho) como uma oportunidade para investirem nas suas casas, torná-las mais seguras, sustentáveis e aconchegantes. 

Para além das vantagens que oferecemos aos particulares, também os profissionais do sector viram na Habitissimo uma forma de fazerem face à crise, para melhorarem a sua presença online e encontrarem trabalhos de forma remota. Os profissionais independentes (que normalmente trabalham sozinhos) demonstraram mais dificuldades do que as empresas, por falta de reservas financeiras mas também pela informalidade das próprias estruturas, que não garantiam os serviços em plena pandemia. No caso das obras que foram adiadas, por exemplo, recebemos relatos de dificuldades de contacto dos profissionais com os particulares, por telefone e mesmo e-mail, o que nos levou a implementar algumas adaptações específicas.

Desenvolvemos o ‘Habitissimo consigo’, um plano de comunicações e actualizações relevantes sobre o sector da construção, com dicas extraídas dos órgãos competentes (como a DGS e AICCOPN), para envio semanal via newsletter aos nossos traders (empresas com pack subscrito).

Adicionalmente, promovemos sessões gratuitas com os profissionais para abordar temas como dicas para conseguir novos clientes, benchmark de outros profissionais, casos de sucesso, como tirar o máximo partido dos serviços da plataforma e esclarecimentos de dúvidas gerais.

Para os particulares criámos uma série de conteúdos relacionados com a pandemia, com sugestões sobre o que fazer em casa, como pedir orçamentos remotamente, os cuidados a ter ao receber um profissional em casa (em caso de serviços urgentes e/ou obras que não foram adiadas), dicas de higiene e tudo o que pudesse ser associado, com os esclarecimentos de segurança necessários.

A digitalização da construção faz parte do ‘novo normal’, à semelhança do que tem acontecido noutros sectores, e que vai propor cada vez mais vantagens tanto a profissionais como a clientes finais.

 As empresas estavam preparadas para a utilização das novas tecnologias?

Não sentimos qualquer tipo de resistência na adesão ao conceito da plataforma, nem por parte dos profissionais, nem dos clientes finais. A digitalização é uma realidade que está a tornar-se transversal ao universo dos serviços e estranho seria o sector da construção ficar alheio às vantagens trazidas por esta transformação. As ferramentas já são pensadas para agilizarem os processos ao máximo, algo que as pessoas no geral agradecem e integram rapidamente no seu dia-a-dia, principalmente quando se tratam de assuntos que tendem a ser vistos como difíceis, morosos ou simplesmente aborrecidos - como é, para muitos, o caso das obras em casa. 

Para além disto, a própria situação de emergência pandémica acelerou e instituiu a transição para o digital, daí acharmos ser o momento ideal para nos darmos a conhecer e ajudarmos o mercado a ultrapassar as dificuldades trazidas pelo vírus.

O mercado precisava de uma ferramenta que aliasse simplicidade e funcionalidade a bons resultados, que ajudassem a fidelizar, substituíssem a referenciação ‘boca a boca’ e contribuíssem até para uma imagem mais positiva do sector - acreditamos que a Habitissimo é essa ferramenta.

Qual o impacto na Habitissimo? Verificaram uma maior adesão de profissionais, de empresas?

Como referimos, no início da pandemia não adivinhávamos qual seria a reação dos profissionais e empresas do setor, mas fomos surpreendidos com um incremento na média mensal dos registos na plataforma.

Em Abril tivemos um crescimento de 30%, face aos registos realizados em Março; já em maio continuámos a crescer mais 10% em registos mensais, face a Abril. As categorias com mais registos de empresas e profissionais nos meses decorrentes da pandemia foram a remodelação de casas, a pintura, a limpeza e as mudanças.

Nos últimos três meses tivemos mais profissionais e empresas a procurarem no Habitissimo uma solução digital para conseguirem encontrar mais clientes potenciais e o nosso objectivo é oferecer a estes parceiros uma experiência única de ligação entre eles e as pessoas/empresas que querem realizar obras e serviços no lar.

Que profissões foram mais procuradas e quais os que tiveram mais ofertas?

O desenvolvimento da pandemia e a entrada dos portugueses em regime de confinamento moldaram de forma muito significativa a tipologia dos pedidos que recebemos nos últimos dois meses. É interessante verificar que, por exemplo, em abril e maio, a construção e remodelação de piscinas cresceu 117%, que a instalação de toldos aumentou 109% e que o serviço de limpeza subiu 58% face ao início de 2020. Outras áreas, como a vidraria (+79%) e a remodelação de edifícios (+57%) foram também muito mais procuradas do que noutros momentos.

Para responder às especificidades geradas por este período extraordinário, vamos lançar novas opções para pedidos de orçamento: na categoria de Remodelações de Escritórios e Locais Comerciais, vai ser possível pedir a instalação de divisórias; nas categorias de Carpintaria e Marcenaria, vamos passar a incluir a opção de criação de mobiliário de escritório por medida e, na categoria de Limpeza, vamos incluir as limpezas e desinfecções de casas, escritórios e locais comerciais.

O processo de adaptação é contínuo, mas o Habitissimo mantém-se atenta e vai continuar a garantir resposta em todas as frentes.

Como vê o futuro do mercado?

Portugal chamou a nossa atenção porque é um país com uma economia madura e que, nos últimos anos, tem demonstrado bons índices de crescimento, em grande medida impulsionados pelo boom turístico, que levou a uma procura acentuada dos serviços de remodelação e de construção. Encontrámos um potencial interessante no país, principalmente por via dos profissionais, que têm um grau de qualificação elevado e um sentido de dedicação forte ao serviço prestado com qualidade. Por isso, acreditamos que, depois deste período excepcional, a fileira da construção vai ser fundamental para a recuperação económica, em Portugal e no mundo.

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