As casas que poupam 75% e 90% em energia

28 de Novembro de 2017

"A Passive House é um conceito construtivo cujos resultados assentam numa poupança de energia entre 75 e 90% de energia", revela João Marcelino da Homegrid e presidente da direcção da Associação Passivhaus Portugal.

A 5ª Conferência Passivhaus Portugal 2017 que arranca hoje e decorre até amanhã, no Centro Cultural e de Congressos de Aveiro, é um evento com a organização conjunta da Associação Passivhaus Portugal e da Homegrid.

Para quem ainda não conhece o conceito, a Passive House é o mais elevado padrão de eficiência energética a nível mundial: as poupanças energéticas atingem os 75% em comparação com os edifícios convencionais e de acordo com a regulamentação actual. Trata-se de um conceito construtivo que define um padrão que é, eficiente sob o ponto de vista energético, confortável, economicamente acessível e ecológico. Não se trata de um estilo ou linguagem arquitectónica. Trata-se de uma norma que assenta no desempenho dos edifícios e que obriga ao cumprimento de requisitos muito objectivos.

Em entrevista João Marcelino explica que actualmente a eficiência hídrica é também uma das preocupações dos profissionais.

Que balanço faz destas cinco edições da conferência Passivhaus?

O balanço das quatro edições já realizadas tem sido claramente positivo. Temos estado a crescer em termos de expositores e em número de participantes. Em termos de organização também tem havido sempre melhorias e inovações de ano para ano. Por exemplo este ano irá decorrer a primeira exposição de projectos Passive House em Portugal, que foram escolhidos a partir dos inúmeros exemplos a ser desenvolvidos em todo o país.

 Como tem sido a adesão dos portugueses a este conceito construtivo?

Temos notado um claro aumento da procura e de pedidos de informação acerca da Passive House em particular e sobre edifícios sustentáveis em geral, com foco na questão da eficiência hídrica, que é algo que só agora parece estar na ordem do dia. Mas claramente a exigência por parte do mercado tem estado a aumentar, sobretudo devido ao facto de cada vez mais haver promotores e investidores estrangeiros a escolher Portugal como destino estratégico. É fundamental oferecer ao mercado aquilo que ele procura, ou seja produtos de elevada qualidade e com elevado desempenho.

 A sustentabilidade é de facto um elemento fundamental nas construções actuais ou ainda estamos longe disso?

Para nós essa é uma questão que não se coloca. O trabalho que realizamos assenta sem excepção nas melhores práticas de desempenho energético, e aí a Passive House dá uma resposta eficaz e fiável, eficiência hídrica, optimização na utilização dos recursos, produção local de alimentos, integração da mobilidade eléctrica na gestão e utilização dos edifícios.

A procura por edifícios melhores, com melhores desempenhos, não deve estar dependente do grau de exigência dos regulamentos em vigor. Os regulamentos servem para estabelecer mínimos. E os mínimos poderão não corresponder àquilo que é exigido sob o ponto de vista do conforto e da qualidade do ar interior.

O facto de até 2021 os edifícios novos terem de ser NZEB tem contribuído para uma maior informação e especialistas na área da eficiência energética?

Apesar da indefinição sobre o NZEB em Portugal, em que existe uma clara definição qualitativa do NZEB em Portugal mas não existe ainda uma definição quantitativa, é perceptível uma procura por parte dos diferentes agentes do sector no que respeita a respostas e soluções para aquilo que será obrigatório a breve prazo. E a Passive House apresenta-se como uma solução adequada ao NZEB e com provas dadas a esse respeito na União Europeia.

 Como tem crescido o conceito Passive House em Portugal?

Tem sido uma evolução sustentável. Este trabalho de disseminação é recente, iniciou-se em 2013, mas já existe a percepção do valor criado pela aplicação do conceito Passive House tanto na construção nova como na reabilitação.

A tarefa fundamental passou pela criação da Rede Passive House e neste momento trabalhamos continuamente para fortalece-la. A Rede Passive House tem como objectivo fundamental criar as bases para um crescimento sustentado da Passive House em todo o território e assenta num trabalho de disseminação e formação dos diferentes agentes da fileira da construção.

Quantos projectos já foram construídos e quais os que estão em fase de construção e em projecto?

Neste momento foram construídos três edifícios certificados, estando em construção cerca de uma dezena e em desenvolvimento algumas dezenas. Tratam-se de exemplos na sua maioria no sector residencial, tanto em construção nova como em reabilitação.

 Quais os profissionais que mais têm procurado a formação da Passivhaus?

A formação Passive House tem sido procurada maioritariamente por arquitectos e engenheiros civis e mecânicos, mas também por outros agentes do sector como construtores, instaladores, prescritores, promotores, estudantes e docentes. É urgente disponibilizar estas ferramentas e este conhecimento às comunidades académicas de modo a actualizar os conteúdos dos currículos académicos e também para atenuar o choque com a realidade na transição do mundo académico com o mercado e o sector da construção.

Estamos a preparar para 2018 cursos destinados aos técnicos municipais de modo a capacitá-los de ferramentas para que consigam apoiar os munícipes nas consultas.

O que espera com esta conferência?

Esperamos manter a qualidade geral da conferência quer ao nível da organização quer ao nível dos conteúdos. E esperamos acima de tudo que todos os participantes e intervenientes na conferência possam fruir e interagir a partir dos desafios que serão lançados. O objectivo é que cada participante saia no final da tarde de quarta-feira com uma perspectiva diferente sobre o que o rodeia e com capacidade de intervenção. A mudança começa em cada um de nós, com a nossa consciência e com a nossa acção.