Alguns projectos que estavam “na gaveta” começam a retomar

31 de Agosto de 2017

Com mais de 40 anos a actuar no imobiliário, o FOCUS GROUP continua a ser um dos principais players do mercado. Nuno Malheiro, presidente do grupo afirma que muita coisa mudou nos últimos anos e com este impulso e dinamização no sector a expectativa aumentou, no entanto, mantém um optimismo moderado. Acredita que se não houver nenhuma crise de confiança, com origem interna ou externa, continuará a haver dinâmica no mercado, contudo, alerta para o facto de não se cometerem os mesmos erros do passado.

Com trabalhos de grande dimensão já realizados em Portugal e no estrangeiro, Nuno Malheiro assegura que alguns projectos que estavam “na gaveta” começam a retomar.

Como o FOCUS GROUP tem acompanhado este novo impulso do mercado imobiliário em Portugal?

 Com muita expectativa e algum entusiasmo moderado. A confiança parece ter voltado, mas o mercado mudou bastante. Assistimos ao “escoamento do stock” de produto imobiliário em Lisboa e no Porto, ao investimento em reabilitação que tem como principais objectivos o arrendamento turístico, a venda a estrangeiros ou a instalação de hotéis. Mas o investimento em edifícios de escritórios, ou noutro tipo de edifícios públicos ou privados fora destas duas cidades, ainda não foi retomado.

 Que tipo de projectos têm abraçado? E aqueles que estavam mais parados já estão novamente em desenvolvimento?

Temos estado envolvidos em vários projectos em Portugal, nos segmentos habitacional, turístico, industrial e de serviços, públicos e privados, mas sem nunca deixar de continuar a apostar noutros mercados lá fora, onde com muito esforço fomos conquistando alguma experiência e que não queremos desperdiçar. Alguns projectos que estavam “na gaveta” começam a retomar, embora alguns casos ainda aguardem a entrada de investidores com capital que se possam substituir aos financiamentos bancários que antigamente permitiam o seu desenvolvimento.

Contudo já tem um percurso muito activo no estrangeiro, como está a correr?

A nossa aposta noutros mercados já começou em 2005. Foi, aliás, o que nos permitiu ultrapassar os piores anos de crise. Houve mercados que, apesar de inicialmente promissores, tivemos de abandonar, e outros novos que nos têm surpreendido. Em particular, continuamos a apostar em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Argélia e Qatar e, mais recentemente, em Marrocos.

O que mudou no mercado desde antes da crise para depois da crise?

 Mudou bastante. O mercado do setor público, para além de ter reduzido significativamente em termos de dimensão, passou a ser (quase) exclusivamente baseado no preço mais baixo, não valorizando a experiência nem permitindo, na maior parte dos casos, a diferenciação pela qualidade do trabalho produzido. No sector privado, os “players” mudaram. A maior parte dos projectos são hoje de pequena ou média dimensão, e os promotores, ou melhor, os investidores, na sua maioria, não têm uma estrutura técnica que possa acompanhar quer a selecção das equipas projectistas ou de fiscalização, quer o desenvolvimento do projecto e da obra, e também eles apostam, erradamente, no preço mais baixo em detrimento da qualidade.

No FOCUS GROUP prestamos serviços quer projecto quer de fiscalização. Nas obras que gerimos somos confrontados com projectos de outras empresas o que nos permite perceber a baixa qualidade de muitos projectos.

Penso que isso é algo que tem de mudar.

 Que tipo de projectos interessam agora ao mercado?

Penso que o mercado de escritórios está ainda por explorar e o mercado de habitação dirigido aos portugueses que voltam a ter gradualmente disponibilidade dos bancos para financiar a aquisição de casa própria.

Considera que este dinamismo no imobiliário vai continuar nos próximos anos?

Não pode continuar a crescer a este ritmo. A queda foi grande e por isso o crescimento sentido também é grande, mas tenderá a estabilizar. De qualquer modo, se não houver nenhuma crise de confiança, com origem interna ou externa, acredito que continuará a haver dinâmica no mercado. Esperando eu que não se cometam os mesmos erros do passado.