Projectos portugueses candidatos ao Prémio Mies van der Rohe

09 de Novembro de 2018

O projecto do edifício Arvo Pärt Centre, liderado pela arquitecta portuguesa Alexandra Sobral, do atelier Nieto Sobejano Arquitectos, foi nomeado para os candidatos ao Prémio de Arquitectura Contemporânea da União Europeia Mies van der Rohe 2019, revelou hoje a responsável.

A arquitecta, que trabalha para o atelier espanhol, em Madrid, disse ter recebido a notificação da Fundação Mies van der Rohe "como o reconhecimento da qualidade de um projecto".

"Recorde-se que a arquitectura portuguesa está representada entre os finalistas ao prestigiado prémio europeu 2019 através de cinco obras seleccionadas de um total de 31 obras apresentadas em concurso nacional realizado pela Ordem dos Arquitectos.

As obras seleccionadas foram: a Faculdade de Arquitectura, em Tournai, Bélgica (Aires Mateus), o Hotel Rural Casa do Rio (Francisco Vieira de Campos), o Terminal de Cruzeiros de Lisboa (João Luís Carrilho da Graça), o Jardim Botânico do Porto: Reabilitação da Casa Andresen e da Casa Salabert e das Estufas de Franz Koepp (Nuno Valentim, Frederico Eça e Margarida Carvalho), e Promise – Casa do Caseiro (Camilo Rebelo, Cristina Chicau e Patrício Guedes). O júri do concurso realizado em Portugal, recomendou ainda, na categoria “Arquitecto Emergente”, o trabalho efémero do pavilhão temporário Jardim de Serralves, de Diogo Aguiar.

Quando ao projecto Arvo Pärt Centre, criado pela equipa liderada pela portuguesa Alexandra Sobral, foi construído entre 2016 e 2018, em Laulasmaa, na Estónia, e será a sede daquela entidade que acolhe o arquivo pessoal do compositor Arvo Pärt, com um auditório, biblioteca e espaços expositivos.

Um prémio europeu de fama mundial

Foi criado para acolher músicos, investigadores e todos os interessados na obra do compositor erudito estoniano Arvo Pärt, nascido em 1935, que, em 1976, criou uma linguagem musical específica intitulada "tintinnabuli".

"É um projecto muito especial porque é criado para celebrar e divulgar a obra de um compositor que ainda está vivo, o que é raro", sublinhou Alexandra Sobral, que trabalha há 14 anos no atelier.

Em janeiro de 2019 a organização do Prémio Mies van der Rohe deverá anunciar a lista de 40 seleccionados e cerca de um mês mais tarde os cinco projectos finalistas, que serão obrigatoriamente visitadas pela organização, até à atribuição do galardão que ocorre numa gala a realizar no mês de Maio, na cidade de Barcelona.

Esta edição do Prémio de Arquitectura Contemporânea da União Europeia (European Union Prize for Contemporary Architecture) considera obras concluídas entre 1 de Janeiro 2017 e 31 de Dezembro 2018. Em cada edição bienal, o Júri distingue duas obras, não existindo prémios ex-aequo nem a possibilidade de o Prémio não ser atribuído, de entre as nomeações apresentadas pelas organizações profissionais-membros do Conselho dos Arquitectos da Europa, outras associações profissionais, um grupo de peritos e uma Comissão de Assessores.

O Prémio Mies van der Rohe Award tem distinguido diversos arquitectos no espaço europeu tendo, na sua primeira edição, em 1988, sido atribuído a Álvaro Siza pelo projecto da delegação do antigo Banco Borges & Irmão, em Vila do Conde.

O Prémio de Arquitectura Contemporânea da União Europeia Mies van der Rohe, no valor de 60 mil euros, foi instituído em 1987 pela Comissão Europeia e pela Fundação Mies van der Rohe, de Barcelona. O prémio é concedido bi-anualmente e o seu “principal propósito é prestar reconhecimento e recompensar a qualidadr da produção arquitectónica na Europa”.