Midões: infantário renasce das cinzas graças à solidariedade

07 de Fevereiro de 2018

Após o violento incêndio dos dias 14 e 15 de Outubro que destruiu o Infantário de Midões, no concelho de Tábua e, pelo menos, 20 habitações, havia que reconstruir, reabilitar, voltar a dar esperança aos que lá vivem.

O infantário-escola, que funcionava há mais de 50 anos num belo edifício do povoado, ficou praticamente todo destruído, restando apenas as paredes exteriores. A Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII) e a Level Constellation – empresa de capitais chineses com vários empreendimentos em Lisboa e que recentemente adquiriu o abandonado Hotel Monte Palace, na Lagoa das Sete Cidades nos Açores – não ficaram indiferentes a tanta desolação e infortúnio. Trataram de associar ao projecto de solidariedade outras empresas e competências técnicas. A MAP Engenharia e a Invescon foram duas dessas empresas; e também o atelier Conceito, que traçou o projecto de reabilitação.

 

A obra já está em marcha e a escola abre no próximo ano lectivo

 

Ontem mesmo - como o Diário Imobiliário noticiou - realizou-se a cerimónia do lançamento da primeira pedra, a que estiveram presentes os promotores da iniciativa, o presidente da autarquia de Tábua, muitos populares e também as crianças do infantário que ficaram sem escola. O DI procurou conhecer como vai ficar o reabilitado infantário e falou com o arquitecto Diogo Freire de Andrade da Conceito.

“O objectivo deste projecto é reabilitar o edifício de acordo com o préexistente antes do incêndio” – diz-nos.  “Só restaram as paredes mestras, as lajes de pavimento, por serem de madeira, ficaram completamente destruídas, todos os vãos terão de ser substituídos, as infraestruturas danificadas terão de ser refeitas e a cobertura do alpendre traseiro em perigo de ruir será reconstruído”- refere o arquitecto.

“A intervenção na estrutura do edifício será mínima no sentido de se manter a imagem pré-existente. Todo o exterior será mantido, as paredes rebocadas e pintadas à cor branca, a caixilharia em PVC à cor branca e cantarias em pedra a recuperar manter-se-ão”. Exteriormente, segundo nos relata Diogo Freire de Andrade “ as telhas marselha existentes serão substituídas por telhas de aba e canudo e o alpendre do alçado traseiro será totalmente reconstruído a uma cota mais elevada para permitir subir o pavimento interior”.

“No interior, os usos mantém-se, havendo porém uma mais racional distribuição dos espaços. Aproveitamos a intervenção no edifício para melhorar as acessibilidades de mobilidade condicionada, tanto no exterior como no interior” – refere-nos ainda Diogo Freire de Andrade.

A Conceito Arquitectos foi criada em 1997 e possui uma larga experiência na execução de projectos de grande envergadura em Portugal, no Brasil e em Moçambique, contando com uma equipa especializada de arquitectos, liderada pelo próprio Diogo Freire de Andrade, assessorado pelas arquitectas Célia Regina Fulcher e Ana Paula Cairrão.