Uma figueira no quarto

15 de Abril de 2013

O figo, a folha da figueira e tudo o que tenha a ver com este fruto é o motivo principal da decoração do mais recente projecto do atelier da designer Nini Andrade Silva. Este tema é o protagonista do mais recente Design Hotel - The Beautique Hotel Figueira. O nome e a própria decoração baseia-se na árvore e no fruto porque a unidade hoteleira situa-se na Praça da Figueira, na Baixa de Lisboa.

Segundo a designer este espaço promete surpreender cada visitante, num jogo perfeito entre as formas da arquitectura de interiores e a mestria de um design arriscado e único.

Da ergonomia visual à metamorfose entre a história e a fluidez da natureza, Nini Andrade Silva desenhou o projecto de arquitectura e design de interiores do novo Hotel.

Numa já habitual relação directa entre as formas do programa arquitectónico e a história do contexto territorial em que o mesmo se implanta, a designer desenvolveu o conceito estético do Beautique Hotel Figueira a partir da origem toponímica e urbanística da Praça da Figueira que, outrora, acolheu um mercado todo ele devidamente escoltado por frondosas Figueiras. Repensando o interior e avançando com novas soluções, Nini Andrade Silva criou um conceito para a arquitectura de interiores inspirado numa figueira, revitalizando a interpretação do próprio edifício de uma forma inventiva e geometricamente surpreendente.

Uma árvore que percorre os oito pisos

Em perfeita alegoria com as formas e escala de uma figueira, o conceito deste hotel nasce ao longo dos oito pisos que constituem todo o edifício (incluindo o rés-do-chão e piso -1). Da base ao topo, das raízes à copa e da força estrutural à densidade do tronco, erguem-se ramos que deambulam pelos demais pisos em proporções geométricas e curvilíneas. As misteriosas proporções da folhagem ganham cor e corpo numa “indisciplinada” vontade de proporcionar experiências únicas que só poderão ser vivenciadas à medida que se percorre o interior do Hotel.

O piso do rés-do-chão, onde se localiza a recepção, o bar e o restaurante do Hotel, oferece a primeira grande experiência ao visitante. Completamente inspirado no conceito em torno de uma figueira, o grande elemento de destaque é composto pelo tronco da árvore, construído num jogo perfeito entre o risco e a volumetria. A organicidade das formas da natureza é demonstrada através do volume central que se eleva em forma de escultura arquitectónica. Aqui, todo o espaço é harmoniosamente concebido em torno deste elemento, de formas geométricas orgânicas, de extrema voluptuosidade e de uma expressividade visual que transforma todo o espaço em algo único!

Igual destaque deve ser dado às fantásticas portas em madeira trabalhada que dão acesso ao restaurante e ao hotel e que privilegiam o contacto directo com a Praça da Figueira, convidando os visitantes a entrar e a usufruir de um espaço verdadeiramente surpreendente.

Rompendo com as convenções e, muitas vezes, jogando com as emoções, Nini Andrade Silva utilizou toda a sua ousadia para traçar este projecto de interiores. As cores profundas e as opções high-tech são aliadas de uma experiência que se inicia no piso do restaurante e percorre cada corredor até ao último piso onde se localizará o spa.

Tributo à natureza

Os 50 quartos são um tributo à natureza, conseguido através da utilização de grandes fotografias com folhas de figueiras, figos e troncos, bem como através de tonalidades quentes e secas que conferem a cada espaço conforto e sumptuosidade. Os detalhes foram cuidadosamente estudados e cada pormenor constitui um verdadeiro exercício que alia o design à elegância.

No último piso, localiza-se o spa do hotel cuidadosamente pensado para proporcionar relaxamento e descanso. Projectado no topo da figueira, o spa foi idealizado como se de um ninho se tratasse, cujas formas curvilíneas e orgânicas apelam ao relaxamento do corpo e da mente, ao mesmo tempo que, uma imponente vista sobre Lisboa se ergue a nossos pés.

Os materiais e acabamentos de elevada qualidade atribuem o requinte e excelência que um hotel cosmopolita exige. Cuidadosamente estudado, o sistema de iluminação é baseado na ideia de light minimalism, privilegiando os banhos de luz que resultam em diferentes cenários e ambientes.