“Primeira Pedra” com Souto de Moura, Siza Vieira e Amanda Levete

10 de Julho de 2018

Porto de Mós recebe a exposição “Identidade”, do projecto “Primeira Pedra”, que reúne trabalhos de arquitectos e designers nacionais e internacionais, como Souto Moura, Siza Vieira ou Amanda Levete.

A ASSIMAGRA – Associação dos Recursos Minerais de Portugal, promotora da iniciativa, revela que a exposição apresenta 26 das 52 peças produzidas no âmbito ‘Primeira Pedra’, que percorreram, durante os últimos dois anos, grandes palcos do design internacional, das artes e da arquitetura mundial, desde Nova Iorque, Milão, Basileia, São Paulo, Veneza ou Londres.

“Primeira Pedra” é um programa de pesquisa experimental, promovido pela ASSIMAGRA, em parceria com a Experimenta Design, que “conciliou indústria e design no desenvolvimento de novas aplicações que sublinham as especificidades da pedra portuguesa e as potencialidades da sua indústria”.

“A este programa associaram-se 24 arquitectos e designers de produto ou gráficos, bem como outros protagonistas do território da criação cultural – nacionais e internacionais – convidados a desenvolver projetos que enfatizam não só a pedra em bruto ou processada, mas também o próprio local da sua extração, as pedreiras, a sua envolvente sociocultural e o seu papel na paisagem e no ambiente”, adianta a associação.

A exposição “Identidade”, patente até 14 de outubro, tem como palco ruas e locais mais emblemáticos de Porto de Mós, incluindo o Castelo, as praças da República e do Rossio, Paços do Concelho, Jardim e Museu municipais, com peças em mármore e calcário elaboradas por 14 destes arquitetos e designers.

“Estamos a falar de uma mão cheia de arquitectos e designers do melhor que há no mundo”, afirmou à agência Lusa o vice-presidente executivo da ASSIMAGRA, Miguel Goulão, adiantando que o calcário e mármore utilizados nas peças têm origem “no triângulo Vila Viçosa, Estremoz e Borga”, no Alentejo, e na região Centro, concretamente Porto de Mós, Alcobaça e Santarém.

Para Miguel Goulão, dirigente da ASSIMAGRA, “ao desafio feito a arquitectos e designers de poderem criar livremente o que entenderem, o sector correspondeu à altura e nenhum projecto deixou de ser feito”, numa “iniciativa que tem o objectivo de acrescentar ainda mais valor àquilo que é feito em Portugal”.

Na mostra estão peças de Siza Vieira, o primeiro português galardoado com o prémio Pritzker, em 1992 e de Eduardo Souto de Moura, distinguido com igual prémio em 2011.

João Luís Carrilho da Graça, distinguido com o Prémio AICA - Associação Internacional de Críticos de Arte e Prémio Pessoa, e Paulo David, também galardoado pela AICA e em 2017 distinguido com o Global Award for Sustainable Architecture, figuram também entre os nomes nacionais que, inclui, ainda, o designer de comunicação Jorge Silva, que foi diretor de arte de vários jornais, dirigiu diversas revistas e foi diretor de arte do grupo Leya e consultor artístico da Imprensa Nacional - Casa da Moeda.

A exposição inclui também trabalhos dos britânicos Amanda Levete (cujos trabalhos recentes incluem o novo edifício do MAAT em Lisboa), Jonathan Barnbrook (desenhou a primeira ‘font’ digital adquirida pelo MoMA de Nova Iorque) e Ian Anderson (foi co-curador do pavilhão britânico na 10.ª Bienal de Veneza).

Do Chile marca presença o estúdio Elemental, cujo director-executivo, Alejandro Aravena, foi distinguido com o Prémio Pritzker em 2016, enquanto do Brasil surge o Studio MK27, que desde 2001 já ganhou mais de 200 prémios nacionais e internacionais e em 2012 representou o país na Bienal de Arquitetura de Veneza. De França é a dupla Ronam & Erwan Bouroullec, cujo design “tem feito parte de reconhecidos museus internacionais”, adianta a ASSIMAGRA.

Têm também trabalhos o libanês Vladimir Djurovic que, entre outros, ganhou o “Aga Khan Award for Arquitecture” em 2007, a sueca Mia Hägg, que foi responsável pelo projeto do estádio nacional nos Jogos Olímpicos de Pequim, e o indiano Bijoy Jain, autor de projetos “desenvolvidos com cuidadosa consideração pelo local e práticas que retira do conhecimento tradicional, técnicas locais de construção, materiais e da ingenuidade resultante da limitação de recursos”.

O programa “Primeira Pedra” foi concluído formalmente em Dezembro de 2017, “mas as peças produzidas continuam a circular pelo mundo, fruto de muitas solicitações de galerias de arte e design, nacionais e internacionais, bem como de outras entidades”, como foi o caso agora da Câmara de Porto de Mós.

LUSA/DI