Cabo Verde: Hotelaria cresce e Turismo representa +45% do PIB

10 de Fevereiro de 2019

O país-arquipélago da costa Ocidental da África pretende acolher em 2020 mais de um milhão de turistas. A meta pode parecer optimista mas traduz uma análise realista do que tem sido a evolução do turismo nos últimos anos, especialmente, no mercado de férias de praia nas ilhas do Sal e da Boavista. E porque não, se as vizinhas Canárias, a apenas uma hora de distância, recebem já mais de 16 milhões de turistas anualmente...

Para dar resposta a este potencial universo de turistas o governo confronta-se com os problemas da oferta hoteleira e da melhoria de infraestruturas de transportes e de saúde.

O número-alvo de um milhão de turistas/ano é muito maior do que a oferta actual de hotéis no país pode suportar. Desse facto estão todos conscientes: operadores, hoteleiros e governo.

O turismo em cabo Verde tem beneficiado do drama do terrorismo em outros pontos do Norte de África e Mediterrâneo, da sua relativa proximidade ao continente Europeu e Americano (a 4 horas de voo de Lisboa e do Brasil), e da amenidade do seu clima ao longo do ano e segurança que o país tem vivido desde que ascendeu à independência, em Julho de 1975.

O turismo é considerado a galinha dos “ovos de ouro” para o desenvolvimento do país, basta dizer que “45% do PIB provêm de serviços relacionados com o turismo”, revelava recentemente Philippe Doizelet, sócio-gerente da consultora mundial Horwath HTL, Hotels durante o Fórum de Investimento Africano (FIHA) que se realizou há dias em Marraquexe, Marrocos.

Durante a a última década (de 2010 a 2016), o número de quartos no país aumentou 94% (de 5.891 para 11.435 quartos), o Isto levou a um aumento do interesse dos principais operadores turísticos internacionais (TUI, Thomas Cook, Look Voyages, Solférias, etc.) a gradualmente programaram o arquipélago como um destino de lazer de topo, gerando assim substanciais chegadas por voos charter.

De acordo com a Horwath HTL, as oportunidades de desenvolvimento de hotéis de curto prazo em Cabo Verde estão localizadas principalmente em Sal, Boa Vista e Praia.

Espera-se que Sal e Boa Vista permaneçam como destinos de lazer em grandes grupos, enquanto a Praia deve se desenvolver como um centro administrativo e de negócios.

No entanto, Philippe Doizelet alertou para os escolhos que se atravessam no desenvolvimento turístico de Cabo Verde: “O abastecimento de água, a distribuição de electricidade, a conexão à internet e as redes rodoviárias continuam sendo os principais obstáculos para uma maior expansão do sector.”

Dados sobre a hotelaria em Cabo Verde

No final de 2016 existiam 233 unidades hoteleiras, que ofereciam um total de 11 435 quartos e 18 382 camas.

Entre 2010 a 2016, o número de quartos no país subiu 94% (de 5.891 para 11.435 quartos). A maior parte da oferta hoteleira desenvolveu-se na ilha do Sal, que concentra 46/ da oferta de quartos de hotel, graças ao seu excelente aeroporto internacional e às belas praias que possui. O segundo destino onde a hotelaria mais cresceu foi na vizinha ilha da Boa Vista, que actualmente representa já 27% da oferta de quartos de hotel.

A oferta nas restantes ilhas do país-arquipélago é quase ainda residual, a ilha de Santiago, onde se situa a capital. A Cidade da Praia, oferece apenas 10% da oferta de quartos da hotelaria a nível nacional seguida pelas ilhas de São Vicente(7%), Santo Antão (4%) e Fogo (2%).

Marcas internacionais como a Riu Hotels & Resorts, Hotéis Meliá, Iberostar e Pestana Hotels, Hilton ou Tui já estão presentes no mercado, quase exclusivamente no Sal e na Boa Vista, mas prevê-se que outras grandes marcas mundiais cheguem em breve a Cabo Verde