Forbes: Corrida ao imobiliário português vai continuar

06 de Março de 2018

A prestigiada revista norte-americana escreve que o aumento dos preços das casas em Portugal, não vai afastar o interesse dos investidores estrangeiros, sobretudo por Lisboa. 

Depois da crise financeira global, Portugal renasceu, é assim que a Forbes classifica este aumento de interesse por parte dos estrangeiros. A reabilitação da capital é um indicativo dessa procura e de uma dinamização do mercado imobiliário.

Os incentivos fiscais aos estrangeiros, sobretudo reformados tem atraído cada vez mais investidores ao país e para a cidade de Lisboa e nem mesmo o aumento dos preços dos imóveis 4,9% no ano até novembro de 2017, de acordo com o Global Property Guide, afastou o interesse por Portugal.

Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal e um dos entrevistados desta reportagem admite que o aumento da procura começou precisamente com os estrangeiros. "Esta última onda demográfica de investidores internacionais quer muito viver em Lisboa. Os franceses eram aqueles que originalmente costumavam entrar no avião para passar os fins-de-semana em Lisboa, mas agora a procura está cada vez mais diversificada e o perfil está a mudar. Investidores com meio milhão de euros ou mais estão a olhar para o centro da cidade e seu centro histórico, bem como a área da Expo, que é muito popular entre os investidores asiáticos . É a qualidade de vida de Lisboa, as infra-estruturas modernas, o clima, o acesso fácil ao centro da cidade que atrai e é muito seguro", salienta o responsável da Century 21.

Também Sofia Rodrigues Nunes, responsável pelo imobiliário da Gómez-Acebo & Pombo Abogados Portugal concorda que a procura externa, que estima que representa um quarto das transacções imobiliárias, não está a mostrar sinais de desaceleração. Indica ainda que os franceses em particular estão a comprar casas nos bairros do Chiado, Principe Real, Baixa, Santos, Alfama e Bairro Alto. "Eles procuram palácios antigos e edifícios encantadores, principalmente nas áreas históricas de Lisboa para renovar e converter em apartamentos luxuosos e lojas carismáticas ou hotéis que eles vendem principalmente para o mercado francês".

A advogada adianta ainda que os compradores do Oriente Médio e os países escandinavos também se tornaram muito interessantes e activos, bem como recentemente, v verifica-se cada vez mais investidores ricos brasileiros, turcos e sul-africanos que chegam a Portugal para comprar a casa de seus sonhos para viver com a família, seduzidos pelo ambiente pacífico e seguro e pelo estilo de vida europeu. "Esses investidores preferem as vilas e palácios antigos de Sintra, a vista do mar no Estoril ou o exclusivo" golfe e mar "na Quinta da Marinha, em Cascais, também popular entre os investidores britânicos. Também lidamos com uma grande procura britânica de propriedades na Costa Oeste do Alentejo em torno da Comporta e Melides".

Apesar deste optimismo a Forbes faz referência à Bloomberg e ao The Guardian quando estes chamaram a atenção para alguns dos efeitos adversos do boom imobiliário da capital portuguesa, registando-se alguma preocupação que o mercado de luxo está a gerar algum problema social à medida que os preços sobem e a oferta de imóveis que chegam ao mercado é limitada. 

Ricardo Sousa concorda: "Nos últimos dois anos, os investidores concentram-se no mercado de luxo. A Forte procura internacional é um problema para os portugueses". O responsável assegura que muitas famílias jovens estão sendo empurrado para os arredores, e com isso os preços subiram também no exterior da cidade.

No entanto, o CEO da Century, questionado se tanto interesse internacional é positivo ou negativo? "Eu acho que os aspectos positivos são maiores do que os negativos", responde. "Muitas áreas não tinham vida e agora têm lojas e cafés locais e são muito animados novamente. Então eu acho que é positivo".