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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020
Entrevistas

Claude Kandiyoti: Não somos especuladores, estamos aqui para desenvolver projectos sustentáveis

5 de fevereiro de 2020

Chegou a Portugal há 25 anos para investir no sector têxtil e em 2014 entrou no mercado imobiliário, são belgas e dão pelo nome de Kandiyoti e neste momento têm negócios em vários mercados internacionais. A aventura no imobiliário iniciou com a compra de um portefólio de 11 edifícios arrendados ao governo português no centro de Lisboa. Em 2016/17, adquiriu um terreno na área da Expo, onde está a desenvolver um hotel da marca Moxy de 224 quartos e uma torre comercial de 15.000 m² designada K Tower.  Em 2018, adquiriu os terrenos de Miraflores ao Novo Banco e está a desenvolver o primeiro empreendimento residencial em Portugal, o Jardim de Miraflores. Inicia este ano com o anúncio de ir desenvolver outro grande projecto no Porto. Claude Kandiyoti, CEO da Krest Real Estate Investments, em entrevista ao Diário Imobiliário, assegura que permanecerá em Portugal desde que seja um valor acrescentado aqui. No nosso país já investiu 100 milhões de euros e acredita nas potencialidades portuguesas, alega mesmo que é o país europeu que mais foi subestimado por muito tempo.

Porquê investir em Portugal?

A nossa família já está em Portugal há 25 anos. Não temos apenas uma perspectiva imobiliária, mas através de nosso negócio têxtil, temos uma visão industrial. Sempre estivemos junto de portugueses e sentimo-nos muito bem neste país.

Quais as potencialidades do mercado imobiliário português?

Durante décadas, houve muito pouca oferta e o mercado foi subvalorizado. Portugal entre as suas reformas e o seu crescimento económico, obrigou o país a uma correcção em termos das suas necessidades. Existe uma clara falta de oferta no sector residencial e comercial. Apesar do novo projecto, que verá a luz nos próximos dois anos, ainda há muito potencial para responder a todos os segmentos do mercado.

Quanto a Krest Real Estate Investments já investiu até ao momento no nosso país?

A Krest possui mais de 100 milhões de euros em capital próprio em Portugal e pretende continuar a  investir em novos projectos.

Quais os desafios e os obstáculos de um investidor em Portugal?

Os principais obstáculos são o labirinto administrativo, a duração do processo de licenciamento e a duração do sistema jurídico. Essas situações só pioraram e, se as coisas continuarem, afastarão muitos investidores.

Porquê investir num produto residencial para a classe média, como é o caso do Jardim Miraflores? Como está a decorrer a comercialização? Qual o perfil dos compradores?

Krest tem estado envolvida em vários segmentos do mercado imobiliário nos últimos 15 anos. Sempre quisemos desenvolver habitação de qualidade em Portugal, pois a procura continua a crescer e a oferta ainda não é suficiente. Os futuros residentes do Jardim Miraflores são principalmente famílias portuguesas jovens que trabalham em Lisboa, que venderam a sua residência e desejam desfrutar de uma melhor qualidade de vida, não muito longe da cidade, no fundo querem mais espaço do que poderiam obter no centro de Lisboa pelo mesmo preço. Temos 60% do projecto reservado, a pouco mais de três meses do início da comercialização.

Que outros projectos estão a ser desenvolvidos e vão ser lançados em 2020?

Em 2020, lançaremos quatro novos projectos: iniciaremos a construção de 15.000m² de uma torre de escritórios na área da Expo de Lisboa, lançaremos um projecto residencial de 24 apartamentos em Vilamoura e um projecto de 136 apartamentos em Quarteira, no Algarve. E vamos iniciar o planeamento de um belíssimo projecto misto no Porto, na zona oriental da cidade, em Campanhã.

Muitos de nossos projectos são certificados como sustentáveis, o que é um aspecto muito importante na nossa atividade.

O que espera do mercado imobiliário português para os próximos anos? A Krest pretende ser um promotor em Portugal a longo prazo?

Não posso prever o futuro, mas as minhas expectativas são oferecer bons projectos para os portugueses, quer sejam um ambiente de trabalho agradável ou residencial de qualidade para todos os segmentos da sociedade portuguesa. Um dos nossos focos é construir habitação acessível. Conhecemos bem o segmento que temos vindo a desenvolver na Bélgica nos últimos sete anos. Uma das minhas expectativas é poder ter uma conversa aberta com as autoridades, seja nacional ou local, para construirmos habitações de qualidade acessíveis a todos.

A Krest permanecerá em Portugal desde que seja um valor acrescentado aqui. Não somos especuladores, estamos aqui para desenvolver projectos sustentáveis.

Acredita que vamos continuar a atrair investidores estrangeiros?

Depende da eficiência do licenciamento e do processo legal. Estes são factores importantes quando os investidores precisam tomar a decisão de investir. Uma mudança positiva, porém, é a profissionalização do mercado através do sistema REIT, que pressionará mais investidores institucionais a permanecerem focados no mercado.

O que diferencia o mercado português dos outros mercados europeus?

Krest está presente em quatro países. Bélgica, Portugal, Roménia e Polónia. Cada um desses mercados tem as suas próprias características. Portugal está muito próximo da mentalidade belga. É um país onde as pessoas querem trabalhar e há muita lealdade - adoramos trabalhar aqui e apreciamos muito o trabalho que a nossa equipa portuguesa tem vindo a realizar.

Se eu tivesse que caracterizar uma grande diferença entre Portugal e os outros mercados, seria no segmento residencial. Onde na Roménia você pode ter um T2 com 70m², em Portugal existe claramente a necessidade de um espaço amplo, o que não seria possível nos outros países em que operamos.

Numa frase, como define Portugal?

Provavelmente o país europeu que mais foi subestimado por muito tempo.

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