Porto: Preços ainda longe de serem especulativos

12 de Fevereiro de 2018

Depois de Lisboa, as atenções voltam-se para o Porto e também aqui a reabilitação está a conquistar a cidade. Apesar dos preços ainda estarem mais acessíveis em relação à capital portuguesa já se verifica uma subida considerável em algumas artérias da cidade.

Joana Lima, responsável Predibisa pelo segmento Reabilitação da consultora nortenha Predibisa explica que a reabilitação no Porto está a crescer de forma constante e sustentada. “Os retornos continuam muito interessantes, apesar do aumento dos preços. A procura no centro histórico e na sua envolvente tem sido muito forte, traduzindo-se em menor stock disponível, colocando maior pressão nos preços, mas gerando inúmeras oportunidades a preços mais competitivos noutras zonas da cidade, designadamente o Bonfim, Campanhã e a frente de rio até ao Freixo. Há mais investidores a entrar no mercado, portugueses e estrangeiros, particulares e sobretudo institucionais”, revela.

A responsável adianta que apesar dos preços estarem mais altos do que há um ano atrás, estão ainda assim longe de poderem ser considerados especulativos. Admite que o Porto e em particular a Baixa partiram de uma base de preços muito baixa e, nesse sentido, ainda têm uma margem de crescimento muito alta.

Joana Lima avança mesmo que os fundos de investimento estão a entrar em força no mercado. “A cidade do Porto, principalmente o centro, é cada vez mais procurada por investidores estrangeiros, mas também por nacionais, que procuram investimentos rentáveis. A incerteza bancária impulsionou este fenómeno. Constata-se, que os investidores estão totalmente empenhados na qualidade da oferta, como forma de diferenciação face à concorrência”, salienta.

A responsável assegura que o comprador tipo, quer seja nacional ou estrangeiro, ainda é o que procura rentabilidade e, nesse aspeto, a hotelaria e o alojamento local continuam a ser muito fortes. No entanto, revela que começa a haver um aumento da procura para habitação permanente, em particular por parte de estrangeiros, seja através de aquisições por parte do cliente final ou como investimento para arrendamento tradicional por parte de investidores que procuram rendimentos mais estáveis, ainda que sacrificando a rentabilidade. “Para este facto tem contribuído o acréscimo de oferta de serviços e de espaços complementares indutores de melhor qualidade de vida na Baixa, designadamente uma maior diversidade do comércio, maior oferta de escritórios e restauração”, refere.

Quanto ao futuro, reconhece que iremos continuar a assistir a muito investimento na área do turismo, mas outras áreas já estão a surgir com muita força, designadamente os escritórios e as residências para estudantes. “Continuaremos a assistir a uma maior procura de imóveis para habitação permanente, em particular em zonas mais recatadas, face às zonas tradicionalmente mais turísticas, como por exemplo a parte mais alta da Rua de Sá da Bandeira, na envolvente do Mercado do Bolhão, que através da sua reabilitação reforçará o efeito dinamizador que já tem, as zonas de São Lázaro e de Cedofeita, concretamente no distrito das artes”, conclui Joana Lima.

* Texto publicado no Jornal Económico no âmbito da parceria com o Diário Imobiliário