É a melhor altura para investir em imóveis?

09 de Outubro de 2018

O mercado imobiliário está ao 'rubro', entre 2009 e 2017 a venda de casas subiu 20% e os preços das casas sobem em 'flecha' em determinadas zonas e o crédito à habitação subiu 43% em 1 ano. É a melhor altura para comprar? A Proteste Investe aconselha ponderação. 

Perante o cenário de subida dos preços, os avisos começaram a 'soar' de várias instituições. A associação da defesa dos consumidores alertou em Abril para a sobrevalorização dos preços das casas, conclusão reiterada, entre Junho e Agosto, pelo Banco de Portugal, pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, pelo Fundo Monetário Internacional e, mais recentemente, pelo instituto alemão de investigação económica (Deutsches Institut für Wirtschaftsforschung).

A Proteste Investe indica ainda que os números são claros e segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2017, foram vendidos no país cerca de 150 mil imóveis, o valor mais elevado desde 2009. Comparativamente a 2016, a subida foi de mais de 20 por cento. Os preços de venda têm acompanhado esta tendência de crescimento com um aumento exponencial de norte a sul. 

Na análise que fez em Agosto, aos preços de venda por m2 de habitações de tipologia T2, verificou-se que, em média, o valor de venda destes imóveis duplicou, entre 2014 e 2018. Cascais foi a cidade com o maior aumento, de 164% neste período, seguida de Oeiras (140%), Porto (124%) e Lisboa (104%)

Quanto aos valores da avaliação bancária: face a 2014, a maior subida registou-se em Oeiras (38%), seguida de Almada e Cascais (37 e 36%, respectivamente), Porto (30%) e Coimbra (25%). O último relatório do INE demonstra que, nos últimos anos, o ritmo de crescimento dos preços da habitação foi muito superior aos dos valores médios de avaliação bancária. 

A Proteste Investe indica ainda que uma subida de taxas de juro ou uma redução da procura, aliadas a uma descida dos preços, terão como principal lesado o investidor.

"Isto porque terá comprado um activo por um valor superior ao real, pagando, por isso, uma prestação mais elevada ao banco. E assim chegamos à outra face deste problema. Como já antes referimos, a valorização dos imóveis não é o único factor que define uma bolha imobiliária. O endividamento das famílias que contraem créditos à habitação é talvez o factor mais crítico", lê-se no comunicado.

De referir que entre 2016 e 2017, o crédito aprovado para a compra de casa aumentou 43%. Os bancos têm suavizado os critérios para a concessão, o que levou o Banco de Portugal a fazer uma série de recomendações, temendo situações de incumprimento "num cenário de subida das taxas de juro ou de deterioração das condições económicas”. 

"Perante este cenário, o nosso conselho mantém-se: pondere bem a compra de casa, já que, em média, os preços não estão atractivos para investir", aconselha a instituição.