Ricardo Loureiro - fotógrafo de arquitectura: o fascínio do “disparo”

08 de Março de 2016

Nascido no Porto em 1980, estudou Arquitectura mas fascinado pela perfeição que pode ser alcançada num simples disparo decide virar-se para a fotografia de arquitectura.

Ricardo Loureiro fala e revela-se aos leitores do “Diário Imobiliário”.

 

1. O que representa para si ter sido oficialmente convidado a participar na 15ª Bienal de Arquitectura de Veneza pela GAA-FOUNDATION na Exposição “TIME¬SPACE-EXISTENCE”, que irá decorrer de 28 Maio a 27 Novembro de 2016.

 

Um motivo de orgulho e um estímulo. Ver que o nosso trabalho é reconhecido lá fora é sempre um motivo de orgulho e um estímulo para qualquer profissional, tanto na fotografia como na arquitectura.

 

2. Como chegou à fotografia… e, em particular, à fotografia de arquitectura?

 

Desde muito novo que tirava fotografias, mas por volta de 2007 o meu interesse por fotografia intensificou-se, comprei uma dslr ["digital single-lens reflex camera"] e comecei a estudar fotografia.

Passado um ano fui convidado a participar num anuário de Arquitectura onde fotografei a Adega Mayor do Arquitecto Álvaro Siza Vieira e o Parque Verde do Mondego em Coimbra do Arquitecto Gonçalo Byrne e a partir dai decidi especializar-me na fotografia de arquitectura.

           

3. É difícil ser fotógrafo profissional em Portugal, dada a exiguidade do mercado e uma “concorrência” de muita qualidade…?

 

É difícil em Portugal como em qualquer parte do mundo, tanto na fotografia como na arquitectura. Quanto à exiguidade do mercado, é certo que Portugal é um país pequeno mas com bons arquitectos; e os bons arquitectos gostam de ver o seu trabalho bem fotografado, como tal existirá sempre muitas oportunidades para os fotógrafos de arquitectura. Em relação à concorrência de muita qualidade, isso acontece por todo o mundo, onde há bons arquitectos há bons fotógrafos.

 

4. Também tem, a exemplo de outros, procurado «internacionalizar» o seu trabalho, abrindo novos mercados?

 

Sim, hoje em dia vivemos num mundo global, o que fazemos não é só para consumo interno. Eu na minha terceira reportagem já estava em Barcelona a fotografar o Mercado de Flores do Arquitecto Willy Müller, passados dois meses estava novamente em Espanha a fotografar uma casa para dois Arquitectos e Professores na Harvard Graduate School of Design. Logo, a internacionalização surge como uma consequência natural de um mundo cada vez mais global. A maioria dos fotógrafos de arquitectura, ao longo da sua carreira, acabam por conhecer o mundo em trabalho, é algo que temos que estar preparados e fazer para que isso aconteça.

 

5. Como vê a evolução da fotografia de Arquitectura desde que se iniciou?

 

Desde que me iniciei, em 2008, a fotografia de arquitectura em Portugal tem evoluído bastante. Acho que há cada vez mais consciência por parte dos arquitectos em geral sobre a importância e o valor da fotografia de arquitectura; e que uma obra só termina quando vai lá o fotógrafo de arquitectura…

Penso também que a internet e as plataformas de arquitectura em particular têm contribuído bastante para isso.

 

6. O seu trabalho é muito condicionado pelos clientes ou normalmente tem total liberdade?

 

Total liberdade só tenho quando fotografo para mim ou quando não conheço bem o cliente. Quando conheço melhor o cliente acabo por ser condicionado no bom sentido pelas suas ideias e pela sua visão sobre a obra, que depois me faz prestar atenção a pormenores aos quais eu podia não notar e que ele tão bem conhece, pois foi ele quem os criou. 

 

7. Como prepara e executa os seus trabalhos? Há muito estudo prévio ou geralmente é levado pela empatia com a obra no terreno?

 

Sempre que possível há um estudo prévio. Tudo começa com as plantas do projecto e imagens, são um ponto de partida para eu saber entre muitas coisas onde vou começar a fotografar, estudando para isso o movimento do sol em relação à obra. Depois, já na obra, é uma combinação das duas, o estudo prévio passa para o plano do subconsciente e a empatia com  a obra no terreno para o plano do consciente.

 

8. A imagem aérea abriu novas e inusitadas perspectivas, há novas experiências, o vídeo uma tentação. Essas novas “ferramentas” têm-no seduzido? Como as encara?

 

Encaro-as com naturalidade, na minha próxima reportagem irei incluir pela primeira vez fotografias aéreas e já experimentei uma ‘Time-Lapse’.

A internet e as redes sociais são um mundo onde os arquitectos podem e devem ser criativos na comunicação das suas obras.

 

9. Entre os fotógrafos de arquitectura (ou não) quais os que mais admira? Foi influenciado por alguns deles, contemporâneos ou não?

 

Admiro o trabalho de muitos fotógrafos de arquitectura e não só, mas em particular admiro e certamente sou influenciado pelo trabalho de Julius Shulman e Ansel Adams.

Estes dois grandes mestres da fotografia são uma referência obrigatória para qualquer fotógrafo, tanto no seu trabalho como fotógrafos como nos seus livros técnicos sobre fotografia.