Bienal de Arquitectura de Veneza de 2016 mostra-se em Lisboa

14 de Novembro de 2017

A exposição "Neighbourhood - Where Álvaro Meets Aldo", que representou Portugal na Bienal de Arquitetura de Veneza 2016, vai ser inaugurada hoje no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, onde fica até 11 de fevereiro de 2018.

A exposição, com curadoria de Nuno Grande e Roberto Cremascoli, será apresentada no CCB em parceria com a Direcção-Geral das Artes (DGArtes), responsável pela organização da representação oficial portuguesa.

O tema central é o trabalho de Álvaro Siza no domínio da habitação social, abarcando os seus projetos em diferentes contextos, nomeadamente no Campo di Marte, em Veneza, o Schlesisches Tor, em Berlim, o Schilderswijk West, em Haia, e o Bairro da Bouça, no Porto.

A exposição documenta igualmente o regresso do arquiteto português - que recebeu o Leão de Ouro de Veneza em 2012 - aos quatro bairros, em 2016, neles confrontando-se com fenómenos como a imigração, a ‘guetoização’, a turistificação e a gentrificação das cidades.

Maquetes, fotografias, textos e cartas integram esta exposição, dividida em três núcleos.

O projeto de loteamento de habitação social que Siza Vieira desenhou há mais de 30 anos para o Campo di Marte, cuja construção ficou incompleta, já foi alvo do lançamento do concurso para a continuação e conclusão da edificação.

Na exposição, é feita uma ligação entre os projetos para a mesma habitação social idealizados por Siza e pelo arquiteto italiano Aldo Rossi, com quem partilhava ideias comuns, nomeadamente quanto às questões da vizinhança cidadã e multicultural.

Álvaro Siza tem vindo a trabalhar estas noções, em contacto, entre outras, com a cultura arquitetónica italiana, e em particular com o legado conceptual e ideológico de Aldo Rossi, cujo ensaio “A Arquitetura da Cidade” fez 50 anos em 2016.

A 15.ª Bienal de Arquitectura de Veneza, que decorreu de 28 de maio a 27 de Novembro do ano passado, com o título "Reporting from the front", contou com curadoria do arquitecto chileno Alejandro Aravena, recém-distinguido com o Prémio Pritzker de arquitectura, que defende a importância da arquitectura no aumento da qualidade de vida das pessoas.

LUSA/DI