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Novo Teatro Variedades no Parque Mayer vai custar cinco milhões de euros

1 de julho de 2020

A Lisboa Ocidental, SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana vai avançar com as obras para a reabilitação e reconstrução do emblemático Teatro Variedades, no Parque Mayer, em Lisboa, num investimento de cinco milhões de euros.

A empreitada foi adjudicada à construtora Gabriel Couto. O contrato da empreitada já foi assinado entre as partes e e com um prazo global contratado de 540 dias de calendário. Trata-se de um projecto que irá dar uma nova vida ao mítico Teatro Variedades tem a assinatura do arquitecto Manuel Aires Mateus.

Este projecto integra-se na intervenção no recinto do Parque Mayer, estando o edifício incluído na área do Plano de Pormenor do Parque Mayer. A requalificação do Teatro Variedades está assente num conceito de intervenção global de forma a reabilitar os espaços principais e completá-los com uma nova envolvente funcional, compreendendo o exterior, acessos e áreas técnicas de apoio.

A construtora explica que o Teatro Variedades começou a ser construído em 1924 com projecto da autoria de Urbano de Castro, no local onde outrora se situavam os jardins do Palacete Mayer, em Lisboa. Concluído e inaugurado em 1926, tornava-se a segunda casa de espetáculos, a seguir ao Teatro Maria Vitória, do recinto que viria a ser conhecido como Parque Mayer. Nele foram apresentados espetáculos de revista e de teatro, com a participação de nomes que viriam a ser consagrados, como Vasco Santana, Beatriz Costa, Vasco Morgado, Raul Solnado, Eunice Muñoz, José Viana e tantos outros.

Em 1966 sofreu um incêndio, foi recuperado e, já na década de noventa, após ter sido alvo de uma renovação do seu interior, serviu de palco para o programa semanal “Grande Noite”, que o encenador Filipe La Féria gravou para a RTP1, mas poucos anos depois, ainda antes do final do século, viria a encerrar portas para não mais reabrir.

"Todo o conjunto edificado apresenta algumas fragilidades construtivas, derivada em parte pela aleatoriedade das técnicas empregues e, em especial, da forma desregrada das próprias construções. O passar dos anos e a falta de manutenção vieram a agudizar estas fragilidades, tendo mesmo levado à ruína e colapso de parte da construção, como é o caso do corpo dos camarins, em que a infiltração de água pela cobertura levou ao colapso da mesma e, por consequência, facilitou a entrada de água nas paredes e pavimentos, levando à total destruição de algumas divisões", refere a Gabriel Couto.

A empreitada prevê a demolição dos anexos precários e exíguos construídos em torno do edifício original, das lajes adicionadas dentro da sala de espetáculos e do “foyer” de entrada, bem como o desmonte da cobertura. Os acessos laterais à plateia existentes serão substituídos e serão utilizados novos materiais na nova construção. Nesta alojar-se-ão: acessos verticais e de emergência, instalações sanitárias, camarins, bastidores, gabinetes de administração, bar e áreas técnicas das instalações especiais.

De acordo com a construtora, o projecto geral desta obra engloba a ampliação e remodelação das instalações existentes, através da recuperação e reabilitação da sua sala principal e do palco, da construção de uma nova envolvente às mesmas, e uma intervenção total na cobertura.

A intervenção visa a revitalização do edifício enquanto espaço de espetáculos, em continuidade com a sua atividade anterior, adaptando-o às exigências legais e técnicas contemporâneas. Nos elementos existentes (paredes, pavimentos e tetos), a recuperação ou substituição dos acabamentos será realizada com materiais compatíveis de forma a preservar a sua essência. De registar que, o Teatro Variedades está classificado no Conjunto de Interesse Público municipal da Avenida da Liberdade.

O Plano de Pormenor do Parque Mayer pretende devolver ao usufruto dos lisboetas o local mítico, lúdico e de cultura, que este espaço representa e criar novos espaços culturais, reconverter o Variedades e construir um novo Auditório (…)” lê-se no site da Câmara Municipal de Lisboa / Lisboa Ocidental, SRU – Sociedade de Reabilitação Urbana E.M..

"A Gabriel Coouto vê, assim, com esta empreitada, o seu portfólio de obras reforçado nesta área de intervenção que se têm revelado tão importante para a reativação do sector da construção, uma vez que, nos últimos anos, têm sido vários os investimentos e projetos de reabilitação e regenerações urbanas", refere em comunicado.