REITS vão trazer mais investimento e oferta imobiliária

11 de Janeiro de 2019

Para a Associação Portuguesa dos Investidores e Promotores Imobiliários - APPII, esta medida é muito bem-vinda e acertada, canalizando investimento internacional à criação de mais oferta imobiliária.

A primeira associação a pedir legislação para este veículo de investimento, congratula-se com a aprovação do diploma legal sobre os REITS ou das SIGI (sociedades de investimento e gestão imobiliária). A APPII indica em comunicado que o problema da escassez de oferta e o aumento dos preços do imobiliário nacional apenas se consegue resolver do lado da oferta, isto é, colocando mais activos no mercado, incluindo aquelas que são colocadas a preços mais baixos e acessíveis aos portugueses.

"Há muitas empresas e fundos internacionais dispostos a entrar em Portugal, mas que apenas investem em determinados modelos de veículos de investimento que conhecem e que por isso se sentem confortáveis, como é o casos dos REITs. A aprovação do regime dos REITS ou das SIGIS era o sinal que faltava para eles entrarem no nosso país e aqui começarem a contribuir para a colocação de mais oferta", avança Hugo Santos Ferreira, vice-presidente executivo da APPII.

O responsável adianta ainda que os REITS são veículos de investimento imobiliário de longo termo, não especulativos, sempre afectos, na sua maioria, a actividades imobiliárias de rendimento e, portanto, também ao arrendamento, seja habitacional ou não habitacional.

Sabendo já que este tipo de veículos de investimento foi criados nos EUA, tendo sido replicados em muitos outros países como Espanha, onde as SOCIMIs (Sociedades Anónimas Cotizadas de Inversión Inmobiliaria) já atraíram largos milhares de milhões e onde só no MAB (Mercado Alternativo Bursatil, o mercado bolsista espanhol de pequenas e médias empresas que procuram, através do mercado de valores, expandir o seu negócio) já foram criadas quase 60 SOCIMIs. Mas mais, só nos últimos quatro anos, as principais SOCIMIs espanholas conseguiram canalizar para aquele país mais de 26 mil milhões de euro.

Hugo Santos Ferreira revela que Portugal perderia competitividade na atracção de investimento se não viesse rapidamente a adoptar este tipo de estruturas. "Face à grande concorrência que os REITs ou as SOCIMIs representam, era urgente proceder à definição de regimes legais e fiscais tão competitivos e atractivos com estes".

O vice-presidente da APPII, indica também como grandes vantagens a este tipo de veículos de investimento, a possibilidade dos pequenos investidores poderem investir em grandes projectos imobiliários (com o que isso acarreta em retenção da poupança em Portugal), mas também "a esperada neutralidade fiscal (com um sistema de 'tributação à saída', uniformizando-se assim as regras de tributação a nível europeu), a obrigação da distribuição de uma grande parte dos resultados (promovendo-se a rápida reabilitação ou do nosso património imobiliário ou a rápida disponibilidade para a colocação de mais activos), ou ainda o facto de obrigar a uma gestão profissional".