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terça-feira, 17 de setembro de 2019
Internacional
Luiz Paulo Junior Luiz Paulo Junior

Mercado imobiliário brasileiro ainda é atractivo

15 de abril de 2015

Apesar de toda a instabilidade política que se vive no Brasil, ainda é um país que atrai investidores. Para Luiz Paulo Junior, especialista em Mercado Imobiliário brasileiro e Sócio-director da empresa H1 Treinamentos em Mercado Imobiliário, em entrevista ao Diário Imobiliário, “o mercado imobiliário será sempre uma excelente aposta, independente de cidade, estado ou país”.

Contudo, na opinião do especialista, o problema é que a cultura de se pesquisar o mercado imobiliário no Brasil ainda é muito ‘acanhada’. As pessoas investem porque o amigo comprou, ou porque o sócio deseja um espaço maior, ou porque simplesmente existe um rumor no mercado que aquele local é o boom do momento.

“A compra impensada de imóveis, isto é sem qualquer parâmetro de compra, leva investidores a comprarem em sectores que se encontram rigorosamente especulados. É o mesmo entendimento das acções de bolsa de valores. Aquele que examina e observa conhece o bom preço, quando comprar e vender. Já o aventureiro compra de qualquer forma e se inspira na velha sorte. O mesmo acontece no mercado de imóveis. O mercado imobiliário é sempre bom, o impetuoso que o torna ruim”, salienta Luiz Paulo Junior.

Sendo que o imobiliário no Brasil está numa fase de profissionalização, o responsável revela quais os pontos mais sensíveis do sector.

Apesar de programas de incentivo à construção, tais como o Minha Casa Minha Vida, o Brasil ainda possui um deficit habitacional altíssimo de imóveis até R$ 200.000,00 (duzentos mil reais – 60 mil euros).

Em termos absolutos, a maior parte do deficit brasileiro se localiza na região urbana e as cinco principais cidades são: São Paulo com o maior número (400 mil unidades), seguido por Rio de Janeiro (200 mil), Brasília (120 mil), Salvador (100 mil) e Manaus (100 mil unidades).

O deficit habitacional é calculado pela soma de quatro componentes:

  • Habitações Precárias: Todos os locais e imóveis sem fins residenciais e lugares que servem como moradia alternativa, por exemplo, imóveis comerciais, pontes e viadutos, barracas, carcaças de carros abandonados, entre outros, o que indica a carência de novas unidades habitacionais. Como também, os domicílios rústicos que são aqueles sem paredes de alvenaria ou madeira aparelhada proporcionando desconforto e risco de contaminação por doenças.
  • Coabitação Familiar: Quando há mais de uma família por domicílio.
  • Ónus Excessivo com Arrendamento: Famílias urbanas com renda até três salários mínimos e que gastam 30% ou mais de sua renda com casa arrendada.
  • Adensamento Excessivo de Habitações arrendadas: Quando há três moradores ou mais por dormitório.

Luiz Paulo Junior, revela ainda que o principal obstáculo à habitação é a taxa de juros.

“Actualmente, a taxa SELIC (índice pelo qual as taxas de juros cobradas pelos bancos no Brasil se balizam) está em 12,75% (conforme reunião do COPOM em 05 de Março de 2015).

O reflexo da alta da taxa de juros interfere directamente nas vendas e lançamentos. O crédito ficou mais caro e restrito. Em 13 de Abril de 2015, a Caixa (maior banco financiador do Brasil) reajustou suas taxas de juros e revisou políticas de financiamento. Sem dúvida, é uma medida desestimulante à aquisição de novos imóveis”, garante.

Taxas de juro retrai compra e promove o arrendamento

E com o aumento de taxa de juros, os consumidores deixam de adquirir o imóvel e passam a arrendar. Em algumas capitais registou-se aumento dos preços dos arrendamentos devido a alta procura, tanto para imóveis residenciais, quanto comerciais.

Outro dos problemas do mercado imobiliário brasileiro apontado pelo especialista diz respeito aos gestores de projecto. A abertura de capital de algumas empresas foi realizada de forma desmedida, pois tiveram que seguir planos de investimentos muito grandes, para atender as expectativas dos investidores. “O novo mercado imobiliário não estava preparado para transformações rápidas. A falta de capacitação de pessoas foi um dos motivos que ocasionou certo alvoroço no seguimento imobiliário, e com certeza, ratifico, que não existe bolha imobiliária”.

Resumindo: Em 2015, os financiamentos continuarão em menor nível, a locação crescerá e gestores não capacitados sairão do mercado.

Para saber mais sobre o mercado imobiliário brasileiro: Resumo Imobiliário

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