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É o momento de os promotores regressarem aos grandes projectos

24 de novembro de 2017

Estão de regresso os projectos imobiliários ao país. Depois da crise são vários os promotores que tiraram da gaveta alguns empreendimentos que estavam no papel e começarem a construir. Foi o caso da RAR Imobiliária que decidiu avançar com alguns que tinha em carteira, nomeadamente o primeiro aqui em Lisboa. A Quinta do Paço, no Lumiar, tem a assinatura do arquitecto Eduardo Souto de Moura e um ano após o seu lançamento, José António Teixeira, CEO da RAR Imobiliária revela que o projecto já se encontra 40% vendido, ou seja, sete moradias num total de dezassete a serem construídas, quando ainda nem as obras arrancaram.

O responsável assegura que é um projecto diferenciador pois dentro da cidade de Lisboa praticamente não existem condomínios de moradias, todas elas com piscina privativa e com pátios interiores numa arquitectura típica do seu projectista Souto de Moura.

José António Teixeira está confiante no actual mercado imobiliário, dadas as melhorias que se verificam nos índices mais relevantes, nomeadamente, “a procura continua a ser superior à oferta. O crescimento do preço das casas volta a acelerar, o aumento exponencial do crédito habitação. O índice de confiança das famílias atinge novo recorde igualando valores de há quinze anos e um cenário macroeconómico altamente favorável com o PIB a seguir uma tendência de aumento há 14 trimestres sucessivos e a economia do país com um crescimento contínuo ao longo deste ano, o mais elevado desde 2007”.

Para o CEO da RAR chegou o momento de os promotores voltarem a novos projectos ou aos que ficaram guardados. Revela que a estratégia adoptada pela RAR Imobiliária em 2008 foi precisamente a de não iniciar nenhum dos projectos que tinha “em carteira” e limitar-se a comercializar aqueles que, entretanto, tinha desenvolvido, o que, naquela altura, não era tarefa fácil como todos sabemos.

“Tomámos medidas que vieram a verificar-se estrategicamente corretas, como termos sido dos primeiros promotores imobiliários a apostar no arrendamento com opção de compra e apesar de contra a corrente, termos ainda aumentado a nossa tabela de preços em 2012, o que veio dar segurança no investimento a quem estava interessado em adquirir casa. Além disso, começámos a praticar Yields nos arrendamentos que se vieram a contratar como uma alternativa mais segura e mais rentável para aplicação de capitais por parte, fundamentalmente, de investidores particulares”, assegura. O responsável adianta ainda que a prova que esta estratégia resultou pode constatar-se nos resultados da empresa que mesmo durante todo o período da crise apresentou anualmente Ebitda’s positivos de vários milhões de euros. “Com a retoma da economia e com a evolução positiva do sector imobiliário nacional, decidimos há dois anos avançar com os projectos que tínhamos aprovados”, salienta.

Neste momento outros projectos que a RAR tem, como o de Algés ou a segunda fase do Edifício do Parque em Matosinhos, estão em fase de análise para o seu arranque e desenvolvimento.

O que muda entre Lisboa e Porto é a dimensão

Quanto às diferenças entre o mercado de Lisboa e do Porto, José António Teixeira, revela que que a principal diferença se verifica a nível de escala/dimensão.

“É claro que Lisboa, além de ser capital, tem uma população residente e flutuante muito superior à do Porto. Isto leva a que a procura seja muito mais significativa e consequentemente provoque um acréscimo de preços relevante em termos comparativos.

Por outro lado, em termos sociológicos a população residente de Lisboa tradicionalmente viveu quase sempre virada para dentro da cidade, enquanto no Porto esse movimento só se começou a verificar nos últimos anos e, mesmo assim, muito direccionado para o alojamento local”, admite.

Quanto ao futuro do mercado imobiliário, o responsável acredita que se mantenha durante muito tempo, “até porque não nos podemos esquecer do contributo que o imobiliário tem para o PIB nacional e para a taxa de emprego. Claro está que a tendência será no médio prazo para uma desaceleração dos preços como consequência de um equilíbrio entre a oferta e a procura que se terá que verificar e que contribuirá, sem dúvida, para a consolidação do mercado”, conclui.

*Texto publicado no Jornal Económico no âmbito da parceria com o Diário Imobiliário